Tive um Infarto, posso fazer exercícios?

Imagem

A prática de exercícios físicos após um infarto do miocárdio (IAM) é não apenas possível, mas também altamente recomendada na maioria dos casos. Diversos estudos comprovam que a reabilitação física pode melhorar a qualidade de vida, reduzir a mortalidade cardiovascular e prevenir novos eventos cardíacos.

 

No entanto, a retomada da atividade física deve ser conduzida de maneira criteriosa, com a avaliação e acompanhamento de um cardiologista como peça-chave nesse processo.

 

Por que o exercício é importante após o infarto?

Após um infarto, o coração passa por adaptações estruturais e funcionais. O exercício físico, quando bem orientado, oferece os seguintes benefícios:

 

Melhora da função cardiovascular: Aumenta a eficiência do coração em bombear sangue, reduzindo a carga sobre ele.

 

Controle de fatores de risco: Auxilia no controle da hipertensão, diabetes, obesidade e dislipidemias.

 

Redução do estresse: Contribui para a saúde mental e alivia sintomas de ansiedade e depressão.

 

Prevenção de novos eventos: Reduz a inflamação e melhora a elasticidade das artérias.

 

A importância da avaliação cardiológica

Antes de iniciar qualquer programa de exercícios, é essencial realizar uma avaliação completa com um cardiologista. Essa etapa inclui:

 

Histórico clínico e exame físico: Identificar condições associadas que possam influenciar a segurança do exercício.

 

Testes diagnósticos: Um teste ergométrico ou ecocardiograma de estresse pode ser solicitado para avaliar a capacidade funcional e possíveis alterações isquêmicas.

 

Ajuste da medicação: Muitos pacientes precisam de ajustes nas doses de medicamentos, como betabloqueadores, para melhorar a tolerância ao esforço.

 

Durante a prática de exercícios

A supervisão médica contínua é indispensável para garantir segurança. Programas de reabilitação cardíaca supervisionados são considerados o padrão-ouro, especialmente nos primeiros meses após o infarto.

 

Monitore a intensidade: O uso de frequencímetros e a percepção de esforço são ferramentas úteis para evitar sobrecarga.

Priorize exercícios aeróbicos: Caminhada, ciclismo e natação são indicados, começando com baixa intensidade e aumentando progressivamente.

Inclua treinamento resistido: Após liberação médica, exercícios de força leve a moderada ajudam na saúde muscular e óssea.

 

Acompanhamento a longo prazo

O papel do cardiologista não termina com a liberação inicial para atividade física. Avaliações regulares são fundamentais para monitorar a evolução do paciente e ajustar o plano de exercícios, conforme necessário.

 

Reavaliações periódicas: Garantem a segurança e identificam possíveis complicações precocemente.

Educação contínua: O paciente deve entender os sinais de alerta, como dor no peito, tontura ou falta de ar excessiva, que indicam a necessidade de interromper o exercício e procurar ajuda médica.

 

Conclusão

Sim, é possível e altamente benéfico fazer exercícios após um infarto. No entanto, o sucesso desse processo depende de uma condução criteriosa, com o cardiologista como a pedra angular. Sua experiência e acompanhamento garantem que cada passo seja dado com segurança, ajudando o paciente a recuperar sua saúde física e emocional.

 

Se você passou por um infarto e deseja retomar as atividades físicas, consulte seu cardiologista. Com planejamento adequado, o exercício será um aliado poderoso para sua saúde e longevidade.

 

Max Lima é especialista em clínica médica pelo Instituto dos servidores do Estado de São Paulo (HSPE-FMO ), especialista em cardiologia pelo Instituto Dante Pazzanese, Especialista em Terapia Intensiva pela AMIB, Fellow pela Sociedade Europeia de Cardiologia, Ex Conselheiro Federal de Medicina (2019-2024), Presidente da SBC MT – biênio 2016-2017, CRMT 6194

Link da Matéria – via Gazeta Digital

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*