
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Jornalistas Jacques Gosch e Greyce Lima entrevistam a senadora Margareth Buzeth (PSD) durante o Rdtv Cast
A senadora Margareth Buzetti (PSD) está de malas prontas e deve retornar ao PP, no decorrer do próximo ano, com o sonho de viabilizar a sua candidatura ao Senado em 2026. A parlamentar argumenta que o desembarque se faz necessário porque, atualmente, ela tem um espaço muito limitado dentro do PSD em Mato Grosso, sob o ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD) – que é titular da vaga ocupada por Buzetti e que deve buscar à reeleição nas próximas eleições gerais.
“Cumprindo esse acordo (do PSD ter um senador por Mato Grosso), eu volto para o meu partido, volto para o PP, eu volto para casa”, frisa a senadora, durante visita à sede do quando concedeu entrevista ao portal e ao Rdtv Cast – assista
A situação no PSD-MT, segundo ela, já foi debatida com o presidente nacional da sigla Gilberto Kassab e com o senador Otto Alencar – líder do partido no Senado. Perguntada se deve receber alguma carta de liberação, ela acredita que não será necessário, mas ressalta que o tema voltará a ser debatido em outra reunião.
“Não houve uma data (para a saída), a gente teve uma conversa muito franca eu, Kassab e Otto Alencar. O próprio senador Otto fala que eu devo realmente procurar outro espaço. Mas, enfim, eu acho que, por enquanto, eu tenho que cumprir um acordo aí com o PSD que é ter essa cadeira no Senado, mas eu devo sair o ano que vem, mais pra o final do ano eu devo sair”, diz e, depois, completa: “É por isso que eu falo sempre, eu não sou de não cumprir acordo, mas os acordos que eu faço”, assevera. A saída de Margareth é estratégica já que ela sonha em viabilizar seu projeto ao Senado e Fávaro, por sua vez, já definiu que disputará à reeleição.
Distanciamento
Os dois estão cada vez mais distantes desde a guinada do ministro à esquerda em 2022, quando ele apoiou a eleição do presidente Lula (PT) e o partido, no Estado, coligou com a aliança que lançou Márcia Pinheiro (PV) ao governo, tendo o ex-federal Neri Geller (PP) na disputa pelo Senado – ambos derrotados. Nas eleições municipais deste ano, Fávaro seguiu alinhado à esquerda e sua filha Rafaela Fávaro (PSD), inclusive, disputou como vice de Lúdio Cabral (PT) na corrida pelo Palácio Alencastro. Eles foram derrotados no segundo turno por Abilio Brunini (PL).
Margareth, por sua vez, integra o grupo do governador Mauro Mendes (União), que foi reeleito em 2022. Além disso, ela ressalta que é uma parlamentar de direita e que isso é inegociável, “nem mesmo para conseguir se manter na disputa por cargos eletivos”. Assim, sua permanência no PSD se torna inviável.
Sobre a relação com Fávaro, ela reconhece que está cada vez mais estremecida desde 2022, mas que segue cordial. “De diálogo, não. A gente tem uma relação respeitosa. Ele é ministro, ele tem um trabalho lá no ministério dele. Eu tenho trabalhado muito no Senado, mas a gente quase não se fala. Por isso, que eu falo que o espaço dentro do PSD, para mim, é muito limitado, no PSD, é estadual, não existe esse diálogo. Mas, existe uma relação de respeito. Eu respeito o ministro de Estado e ele me respeita como senadora”.
Apesar de assinalar a existência de uma “relação respeitosa”, Margareth ressalta que a falta de diálogo provoca algumas situações constrangedoras como, por exemplo, o retorno do ministro ao Senado, na semana passada , para definir as emendas, sem que ela tivesse ciência. Ela ressalta que, como existe um prazo para definição da destinação dos recursos, ela imaginou que o ministro voltasse ao Senado para fazer a “gestão” dos valores, mas que não foi informada sobre a data.
“Ele não avisou e eu fiquei sabendo pelo Diário Oficial, de manhã, que eu não estava no cargo. Eu fui a Brasília porque eu não posso deixar de ir, porque eu nunca faltei nenhuma sessão, nunca. Eu tenho isso comigo, eu tenho essa questão de ser caxias, de trabalhar. Eu acho que a gente está lá para cuidar do dinheiro público e dar resultado para a população”, diz.
Ela pondera que, por conta da situação, cumpriu agendas externas. Perguntada se sentiu desrespeitada, a senadora minimiza, mas ressalta que gostaria de ter sido comunicada. “Ele não precisa gostar de mim, né. Ele só precisa pedir para o chefe de gabinete dele avisar o meu chefe de gabinete que ele iria voltar, pronto, estava tudo certo. Mas, se ele não quer, eu não vou sofrer por algo que não está ao meu alcance. É um direito dele, as emendas são um direito dele. Eu só costumo me incomodar ou sofrer ou me desgastar com algo que eu possa resolver. O que eu não posso resolver, deixa quieto, está tudo certo”.
Ainda segundo ela, as emendas foram destinadas integralmente por Fávaro, assim como no ano passado.

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