Diálogos indicam suposto caixa 2 de Alei: “Por dentro, por fora; quente ou não”

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Montagem/Rdnews

Diálogos extraídos do celular de Nei Francio , um dos cabos eleitorais do prefeito eleito de Sorriso Alei Fernandes (União) e pai de um dos principais apoiadores financeiros de campanha, mostram um suposto esquema de caixa 2 e recebimento de doações ilícitas nas eleições deste ano. O Ministério Público Eleitoral ingressou com representação eleitoral contra o prefeito eleito Alei e seu vice Acácio Ambrosini (União) e requer à Justiça que seja negada ou cassada a diplomação dos dois.

A representação é assinada pelo promotor eleitoral Márcio Florestan Berestinas e foi ajuizada nessa quarta-feira (04). Para o promotor, os diálogos reforçam os indícios de que Nei Francio supostamente atuava no financeiro da campanha eleitoral do candidato Alei Fernandes com o recebimento de doações ilícitas, configurando a possível ocorrência de caixa 2 – leia diálogos 

O documento mostra uma conversa entre Nei Francio e Iraci. Os dois falam que Paulo e Mauro foram encarregados de conseguir o valor de R$ 25 mil para a campanha. No entanto, no ranking dos doadores que contribuíram para a receita da campanha eleitoral de Alei Fernandes, disponível no site do TSE, não consta nenhuma doação feita por pessoa de nome Mauro, segundo o MPE.

“Iraci, nós temos que pagar… tem que pagar os piá à tarde. Ô, eu tô indo pra Cuiabá e volto ainda à tarde. À noite eu tô ai. É… o Paulo sabe que tem que arrumar os 25 mil. O Mauro também. O Mauro tá aí no escritório, no teu escritório. Pega e veja com ele já pra não, não deixa de pagar os cara hoje. Tem que pagar de qualquer jeito. Mas eles já tão.. já são conhecedor do problema. Ligue pra eles depois cê… pra passar o Pix pra eles e vamos pagar direitinho os cara”, diz trecho.

Na sequência, no diálogo entre Nei e Paulo, Nei pede uma quantia de R$ 100 mil para Paulo. “Ah, Paulo, acabamos não falando, você viu se vai conseguir arrumar os cem que daí é cem a menos dos duzentão. Veja lá se… se dá pra amanhã que daí a gente já fica mais tranquilo. Se não me diga que daí eu vou, vou ficar a tarde inteira cobrando esse povo pra fazer as visitas”, escreveu.

Paulo responde então que ‘o dele’ seria só segunda e que depois falaria o motivo. Nei respondeu que precisava de ‘duzentão’ (R$ 200 mil) para a campanha. “Ah, tranquilo daí. A gente sabe que precisa duzentão então. Beleza? Vamos atrás dos duzentos”. Reprodução

Nei Francio teria articulado doações ilegais

Conforme o MP, nas doações declaradas ao TSE por Paulo, não constam como beneficiário a pessoa de Alei Fernandes, mas apenas candidatos a vereador.

Em outra conversa, Nei Francio fala com Gilson e conta que havia uma pendência de R$ 17 mil, relacionada a uma pesquisa eleitoral. Nei pede que Gilson pague a pesquisa com recursos próprios e assegura que depois ele seria orientado. Nei pede que Gilson telefone para Iraci, que sabia se o dinheiro era ‘quente’ ou não, “o que evidencia que as doações eram feitas tanto de forma lícita quanto ilícita, com conhecimento e anuência da organização da campanha”, diz o MPE na ação eleitoral.

Nei Francio questiona sobre outra pessoa, que teria doado valores à campanha. Ele pergunta se o dinheiro seria repassado ‘por dentro ou por fora’, “o que evidencia que as doações eram feitas tanto de forma regular quanto irregular, fato que era de conhecimento tanto da organização quanto dos doadores”, reafirma o MPE.

“Bom dia, Gilson. Tranquilo? Ganhou um presentinho agora de manhã? O Junior te ligou? Me falou que ia falar contigo pra discutir uns detalhes. Só não me falou QUANTO. Me dê notícia boa de quanto que é. Um milhão, dois milhão, três, cinco. Quanto que é, fala aí”, disse Nei.

“Bom dia, Nei. Tudo certo? Não, não me ligou ainda não. Mas é, a hora que ele ligar aí eu já linco ele. Pode deixar. Beleza? Vou até ver se ele não consegue fazer declarado pra nós”, responde Gilson.

“Ué, ele me falou que tinha falado contigo. Liga pra ele, se não escapa. Conhece o nosso eleitorado. Ai ligue já pra ele lá e acerta. Ele até perguntou se queria por dentro, por fora, tal”, rebate Nei.

Gilson respondeu escrevendo “20 mil” – leia abaixo

Prisão

A investigação começou após a prisão de Nei Francio, no dia 03 de outubro deste ano. Ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal no km 754, da BR-163, em Sorriso. Conforme boletim de ocorrência, o cabo eleitoral não obedeceu aos avisos luminosos e sonoros da viatura policial. Após parar o veículo, os agentes realizaram busca pelo veículo e encontraram uma caixa de papelão com R$ 300 mil em espécie. Questionado, Nei Francio não soube informar a origem do dinheiro.

“Considerando que Nei não soube comprovar a origem do dinheiro; Considerando que Nei é apoiador da campanha eleitoral do atual prefeito da cidade de Sorriso, tendo, inclusive, no veículo adesivo de apoio, que seu filho realizou doação de alto valor para a campanha eleitoral; Considerando o período eleitoral; a ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil e, em seguida, para a Polícia Federal, que apreendeu o valor em espécie e o aparelho celular de Nei, para realização de investigação”, diz trecho do registro policial.

Ele foi preso em flagrante, e conduzido à Polícia Federal por indícios de possível prática de crimes eleitorais. Em depoimento, Nei disse ter um “vinculo de amizade” com Alei e declarou “apoia[r] a reeleição (sic) do candidato”.

“Além disso, armou (sic) que seu filho realizou doação de R$ 200 mil para a campanha, de forma lícita e que possui um sítio em comum com ele [Alei Fernandes] e com mais 10 pessoas, no Pará, um pesqueiro”, diz trecho dos autos. À época, Nei Francio autorizou o acesso da PF aos dados armazenados em seu aparelho celular, “oportunidade em que confessou manter troca de mensagens com Alei Fernandes”.

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