
Rodinei Crescêncio/Rdnews
“Estou cansado! Investi e venho investindo em máquinas, tecnologia, já desenhei todos os processos… PAGUEI CARO!” — exclama o empresário frustrado.
“Não sei mais o que fazer…” — segue seu desabafo.
Ele só se esqueceu do principal: envolver as pessoas.
“Já dizia Peter Drucker: ‘A cultura come a estratégia no café da manhã'” — respondi.
Intrigado, ele me questiona:
“Não entendi, o que você está querendo me dizer?”
Sigo:
“Não negligencie a gestão cultural da sua empresa! Quando você não envolve as pessoas no compartilhamento de suas estratégias e planos, corre um grande risco de elas não compreenderem e, automaticamente, não aderirem às inovações, aos novos cenários e desafios. Afinal, a grande maioria das pessoas não lida bem com o desconhecido e com mudanças.”
“Mas eu falo para eles! Contratei um consultor para treinar os novos processos da empresa, o manuseio das novas tecnologias e máquinas, mas eles simplesmente resistem.”
Quando falo para não negligenciar a gestão cultural da sua empresa, não estou me referindo apenas a informar as pessoas sobre o que você está fazendo, no sentido de:
“Vou contratar um consultor para implementar os processos.”
Estou dizendo que você precisa trazer consciência às pessoas sobre o porquê está fazendo o que está fazendo. O porquê no sentido de propósito, de um objetivo a médio e longo prazo que fundamente essa decisão e traga lógica à mente delas.
Se você quer que o coração e a inteligência dos seus funcionários estejam aplicados no dia a dia do negócio, pratique o ato de fazer lógica na mente deles. Envolva-os para que compreendam a importância de seu comprometimento e engajamento para alcançar o alvo. E, obviamente, para que possam perceber as oportunidades que surgirão para eles, nessa relação ganha-ganha entre funcionário e empresa ao longo da jornada.
Certa vez, fui acionada por uma empresária que eu atendia já há algum tempo. Na ocasião, ela me procurou aflita e frustrada, dizendo:
“Eu não reconheço mais a minha empresa. Essa não foi a empresa que fundei, que criei. Não sei o que está acontecendo. Não sei se me distanciei demais, se “delarguei” demais… O ponto é que, quando me dei conta, os resultados não eram os que a empresa precisava, a satisfação dos clientes estava baixa, perdi pessoas importantes, e vejo que estamos enfrentando graves problemas. Parece que eu estava adormecida durante todo este tempo. É como se o meu gerente geral tivesse impresso o jeito dele em tudo; e, ao perceber isso, não gosto do que vejo. Estou frustrada.”
Esse é mais um exemplo de negligência cultural.
Quando você delega a gestão cultural da sua empresa a alguém sem o devido direcionamento ou as devidas diretrizes, essa pessoa acaba imprimindo sua própria assinatura. Em muitos casos, ela também imprime a assinatura das várias empresas pelas quais passou, fazendo com que, ao longo do tempo, se crie um cenário desconhecido. Nesse ponto, uma cultura indesejada pode ganhar mais força do que a essência que fez o negócio nascer, crescer e se solidificar.
Muitas vezes, quando um empresário percebe, já perdeu talentos, clientes e está enfrentando impactos financeiros graves.
Como prevenir que isso aconteça na sua empresa?
Quanto antes, identifique e registre o DNA da sua empresa. Tenha claro em mente a essência norteadora do seu negócio, que, com certeza, ao ser criado, foi pensado para solucionar o problema de alguém. Ela foi embasada em princípios e valores, norteados por um sonho e uma missão, um sentido que diferenciava sua existência diante dos demais. Essa essência foi ganhando força, impacto e posicionamento ao longo do tempo.
Tenha isso claro, registrado e disponível, de forma que possa ser compartilhado com cada pessoa que venha a integrar o sistema, fortalecendo a comunidade do seu negócio.
Isso é o que sustenta um time forte e de impacto: uma cultura forte!
Uma cultura forte está embasada em missão, visão e valores. Ela representa a identidade de uma empresa e deve ser a essência de qualquer negócio. Assim como a impressão digital de uma pessoa — própria e única —, a cultura precisa ser gerida de forma consciente.
Cynthia Lemos é psicóloga e empreendedora; fundadora da Grandy Psicologia Empresarial e escreve neste espaço quinzenalmente às quintas-feiras

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