
O supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), desembargador Orlando Perri, saiu em defesa da implementação de medidas mais eficazes para bloquear o sinal de aparelhos celulares nas penitenciárias de Mato Grosso. Durante lançamento do programa “Tolerância Zero ao Crime”, feito pelo Governo do Estado no início da semana, o magistrado destacou que as unidades prisionais do estado não possuem bloqueadores de sinais, o que vai ao encontro dos resultados apresentados pelas últimas varreduras feitas nas penitenciárias, com a apreensão de centenas de celulares, chips telefônicos e carregadores. Montagem/Reprodução
O desembargador Orlando Perri (detalhe) critica falta de bloqueio de sinal de celulares nos presídios em MT; na PCE, nesta semana, mais 86 aparelhos foram apreendidos
No evento, Perri defendeu um sistema israelense em funcionamento fora do Brasil e que estaria apresentando muito eficácia. “Nós precisamos buscar um mecanismo eficiente que vimos na visita técnica para bloquear os celulares dentro das unidades prisionais, porque a corrupção não vai acabar neste país tão cedo”, afirmou.
Apenas na Penitenciária Central do Estado, mais de 700 celulares já foram apreendidos neste ano entre os meses de janeiro e outubro, segundo a Associação dos Policiais Penais de Mato Grosso (Asppen-MT). Nesta semana, uma nova operação resultou em mais 86 aparelhos apreendidos – sendo que mais de 30 deles foram localizados em uma única cela, que funcionaria como “assistência técnica” dos presos. Recentemente, o próprio Perri revelou que os detentos chegam a pagar até R$ 20 mil para ter um acesso a um telefone dentro dos presídios.
“Não temos bloqueadores de celulares em presídio nenhum no estado de Mato Grosso. Há tempos, a Sesp [Secretaria de Estado de Segurança Pública] está tentando encontrar um sistema que tenha eficácia no bloqueio de celulares dentro do sistema prisional. Até agora, todas as provas técnicas que foram realizadas, falharam”, afirmou. Mayke Toscano/Secom-MT
Governador Mauro Mendes lançou programa de “Tolerância Zero ao Crime” nesta semana
Governo promete resposta
Em resposta, o governador Mauro Mendes (União Brasil) prometeu estratégias que vão além do bloqueio de sinal de celulares nas unidades prisionais, iniciando com ações para impedir a entrada dos aparelhos. Segundo Mauro, caso seja constatado a facilitação da entrada de celulares nas unidades por meio de servidores, eles deverão ser punidos rigorosamente.
“Muito mais do que bloqueadores de celular lá dentro, nós vamos implementar um plano para que não entre celular lá dentro. Você não pode dar mais uma despesa ao contribuinte […] Nós temos que tomar a decisão correta para fazer a coisa certa, e o certo é não permitir entrada de celular dentro de presídio. Quem entrar ou permitir entrar, terá que sofrer rapidamente às consequências prevista”, afirmou.
Nova secretaria
O programa “Tolerância Zero ao Crime” inclui criação da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) , que será desmembrada da Secretaria de Estado de Segurança Pública. A nova pasta será responsável por administrar os Sistemas Penitenciário e Socioeducativo e a política estadual sobre drogas, tendo uma pasta adjunta para a Administração Penal.
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