
Rodinei Crescêncio
O orçamento do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) para 2025 deverá ser, aproximadamente, R$ 492 milhões, apenas R$ 2 milhões a mais que o deste ano. Em entrevista ao , o reitor reeleito para o quadriênio 2025-2029, Júlio César dos Santos, afirma que o valor é suficiente apenas para a manutenção do que já existe, não sendo possível arcar com as despesas das reformas necessárias para os campus do IFMT, que apresentam vários problemas estruturais. Muitas destas unidades estão há mais de oito anos sem reformas. Na entrevista, o reitor dá detalhes dessas questões orçamentárias, dos principais problemas estruturais e das perspectivas de abertura de novos campus nos próximos anos.
Confira, abaixo , os principais trechos da entrevista
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Qual é o orçamento previsto para 2025, segundo a Lei Orçamentária Anual (LOA) e quais são as prioridades para esse orçamento nesta próxima gestão?
As perspectivas não são boas, o orçamento permanece praticamente o mesmo de 2024, que foi de R$ 490 milhões, com algumas pequenas mudanças, o que exige que nós busquemos recursos extra orçamentários para nós conseguirmos manter alguns projetos da instituição e fazer as melhorias que a instituição precisa, principalmente as reformas e as obras estruturantes do IFMT. Neste caso, nós estamos buscando apoio da bancada parlamentar, que tem nos recebido muito todos os anos. Nos últimos anos, a bancada tem apoiado muito a nossa instituição, com projetos junto aos ministérios, junto ao Governo do Estado de Mato Grosso, junto às prefeituras. Esses projetos e essas ações têm possibilitado nos últimos anos, os investimentos em obras, equipamentos, laboratórios, em ampliação do atendimento às comunidades indígenas, quilombolas, da agricultura familiar. Então, na verdade, o orçamento da LOA, que vem do Ministério da Educação, é bem limitado e aí nós, enquanto gestores, temos que buscar outras alternativas para manter a instituição.
Annie Souza
O valor total previsto para o orçamento do próximo ano, de R$ 492 milhões, é suficiente para incluir as reformas que a instituição necessita ou é apenas para a manutenção do IFMT?
Não, eu não consigo fazer as reformas da instituição com esses recursos. Hoje eu preciso de R$ 120 milhões para essas reformas. Por isso temos dialogado com a bancada federal. Já temos conseguido emendas e avanços nos diálogos com alguns parlamentares, como os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União), e os deputados federais Emanuelzinho (MDB), Abilio Brunini (PL), Juarez Costa (MDB), Gisela Simona (União), Fábio Garcia (União) e Coronel Fernanda (PL). Também assinamos um convênio com o Ministro da Educação, Carlos Fávaro, em que ele transferiu R$ 7 milhões para o IFMT desenvolver um projeto. Então para fazer essas reformas, a gente busca recursos da bancada parlamentar, dos projetos, de outras ações, mas com o orçamento do IFMT, o que a gente mal consegue é manter a instituição, a gente mal consegue pagar as contas.
E quais são os principais problemas estruturais que necessitam desses recursos extras?
Veja bem, olha o que aconteceu com o IFMT. Em 2008, foi criada a lei transformando as ex-autarquias em institutos federais. Nós tínhamos três unidades no estado de Mato Grosso, que se juntaram para a criação do IFMT. E aí foi criado um programa de expansão. Entre 2009 e 2014, foram criados 16 novos campus no estado. Eles foram criados e estruturados em prédios das antigas escolas agrícolas dos municípios, outros em escolas doadas pelo governo do estado, que eram prédios antigos também. Alguns foram construídos prédios novos, mas há pelo menos oito anos, entre 2014 e 2016. E alguns campus nem chegaram a ter sede própria, que é o caso de Várzea Grande e de Sinop. Por isso, essa expansão deixou na instituição um monte de problemas de infraestrutura. Nós tínhamos campus que nem sede tinha, campus que não tinham ginásio, que faltavam laboratório, redes, sistemas para a internet. Em 2014, o país entrou em uma crise política e econômica, e os institutos federais estão sem receber recursos decentes para as reformas desde então. O instituto foi sendo sucateado, foi ficando em situação difícil.
O que precisa ser feito nestes prédios?
Campus que foram reformados em 2014, que já funcionavam em prédios velhos, estão há 10 anos sem manutenção e sem investimento. Então tem telhado que precisa ser trocado, rede elétrica que não funciona mais, infiltrações. A prioridade inicial era a construção dos campus que não tinham sede, que era Sinop e Várzea Grande. Em seguida, melhorar a infraestrutura de laboratórios e renovar a frota de veículos, o que conseguimos fazer. Agora, o nosso objetivo é recuperar e colocar a infraestrutura da nossa instituição nas condições ideais de trabalho para os nossos servidores e de estudo para os nossos estudantes. Já iniciamos reformas no Bela Vista e no Octayde, em Confresa e vamos ampliar a reforma de São Vicente. Também já foi dada a ordem de serviço para reformar o Campus de Cáceres, Pontes e Lacerda e Rondonópolis também foi feito isso.
A previsão de entrega para o campus de Várzea Grande e de Sinop era 2025. Como está o andamento dessa obra?
O de Várzea Grande será entregue em fevereiro de 2025. A obra está na fase de acabamento, fazendo a parte externa, estacionamento, iluminação. O bloco de sala de aulas está na fase final. E Sinop será entregue em junho de 2025. Também está na fase final.
Hoje essas unidades funcionam em que prédio?
Em Várzea Grande, funciona em uma escola emprestada pela prefeitura, onde foi ampliada com salas modulares, para 1.190 alunos. Apesar da estrutura limitada, o campus de Várzea Grande é um dos que tem os melhores índices de eficiência acadêmica. A perspectiva do campus é chegar a 1.400 estudantes nos próximos três anos. Para isso, abrimos um terceiro eixo, além dos cursos na área de gestão e de construção civil e, agora, está passando a atuar com cursos na área de tecnologia da informação. O de Sinop funciona hoje em um prédio também emprestado pela prefeitura, mas é um prédio muito limitado, com aproximadamente 400 estudantes. Com a mudança, a perspectiva é chegar a 800.
Com esse orçamento apertado, há alguma perspectiva de aumentar a oferta de cursos nos próximos anos?
Sim. Nós estamos abrindo quatro novos campus. O campus Canarana, que inclusive está com a licitação para a construção do prédio aberto, uma obra de R$ 24 milhões; o de Água Boa, também com o orçamento de R$ 24 milhões e que devemos começar a obra em 2025; o de Campo Verde, que era um centro de referência e tornou-se campus,e também vai ampliar o número de matrículas; e o de Colniza, que em 2026 deve iniciar as atividades e vamos ampliar o número de estudantes. Além disso, o nosso objetivo tem sido aumentar o número de estudantes matriculados no ensino médio integrado em alguns dos nossos campus,os quais entendemos que têm margem e estrutura física para atender o número maior de estudantes, como do Bela Vista. Então, a nossa meta é passar nos próximos três anos, a marca de 35 mil estudantes matriculados.
E há expectativa de abertura de novos campus?
Eu vou apresentar para o Ministério da Educação, agora em 2025, o projeto de criação de mais de dois campus, um em Cuiabá e outro em Várzea Grande. Porque em Cuiabá, a região do Coxipó não tem nenhuma unidade, e ali tem uma região que abrange vários bairros, como o Osmar Cabral, a região do Parque Cuiabá, Tijucal, toda aquela região que não tem esse atendimento. E a outra proposta é de um novo campus em Várzea Grande, porque hoje nosso campus está na região do Chapéu do Sol e queremos um campus novo na região oposta, já que hoje todo o público da região central, o Grande Cristo Rei e trecho do 24 de Dezembro não têm nenhum atendimento. Vamos encaminhar o projeto do Ministério da Educação e pedir o apoio da bancada para isso.

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