
O general cuiabano Júlio Cesar Arruda, que comandou o Exército por cerca de 30 dias no início do Governo Lula (PT), não aceitou colaborar com golpe de Estado para impedir que o petista fosse empossado em 1º de janeiro de 2023. A proposta foi apresentada pelo general Mário Fernandes, um dos presos na Operação Contragolpe da Polícia Federal (PF), que foi secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência da República na gestão de Jair Bolsonaro (PL) A informação do jornalista Marcelo Godoy, do Estadão, foi publicada na edição dessa segunda-feira (25).
Reprodução
A reportagem diz que Mário Fernandes procurou o general Júlio Cesar na sua sala, no Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército, em Brasília. Acompanhado de dois coronéis da reserva, criticou o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, por não ter aceito a tentativa de golpe para impedir a posse de Lula.
“O senhor vai assumir o comando depois de amanhã. O senhor tem de fazer alguma coisa!”, teria dito Mário Fernandes. Já Júlio Cesar, que assumiu o comando do Exército dois dias depois, em 30 de dezembro daquele ano, teria expulsado os oficiais da sua sala. O general cuiabano ainda teria dado ordem para que os três oficiais nunca mais o procurassem enquanto fosse comandante do Exército.
Júlio Cesar, que foi exonerado do cargo de comandante do Exército em 21 de janeiro de 2023, após entrar em conflito com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, por conta do desmonte dos acampamentos em frente aos quartéis, não quis comentar o caso. Entre os colegas de Forças Armadas, é considerado um general “legalista”.
Já Operação Contragolpe, deflagrada na semana passada, prendeu Mário Fernandes e outros suspeitos de ter planejado os assassinatos do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Entre os presos estão oficiais do Exército e um policial federal.
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