
O alvo da Operação Jogo de Ilusão , deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) de Cuiabá, investigado por adquirir fotos e vídeos íntimos de crianças e adolescentes utilizando como “isca” o interesse pelo jogo virtual Roblox, criava perfis falsos no jogo e em redes sociais se passando por uma adolescente, com o nome falso de Anne Beatriz. O suspeito afirmava ser uma “jogadora” do Roblox e dizia ter encontrado os perfis das vítimas por “sugestão da rede social”, passando a segui-las e conversar por “achá-las bonitas”. PJC
Operação Jogo de Ilusão foi deflagrada nessa quinta-feira (21) pela Polícia Civil de Mato Grosso e cumpriu mandados em Caldas Novas (GO)
Ao , a delegada Juliana Palhares, titular da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), afirmou que o suspeito – maior de 18 anos – tinha como alvo apenas meninos e que teria pegado “emprestado” dados pessoais de um vizinho, que é adolescente, para criar contas de e-mail e realizar cadastros nas redes sociais, a fim de cometer o crime. Segundo a delegada, o adolescente chegou a receber R$ 200 pelo fornecimento dos dados.
“O menor foi ouvido e falou tudo, disse que já sabia que o maior praticava alguns golpes, que era um estelionatário. Na casa do maior, nós encontramos muitos chips telefônicos, inclusive existia um caderno com os chips afixados e o número de telefone. Um desses números, de DDD 65, foi o utilizado para fazer as ameaças contra a vítima”, declarou a delegada. Esta vítima em específico é um adolescente que mora em Cuiabá. Entretanto, o suspeito praticou o crime contra vítimas também de outras cidades.
Prints de conversas entre o aliciador e as vítimas, ao qual o teve acesso, mostram o suspeito conversando com a vítima de Cuiabá – este último solicita que a falsa adolescente envie imagens íntimas, ao que o suspeito responde com: “Quando vcs mandar eu mando” (sic). A vítima insiste, prometendo que enviaria e que ela sabia que ele tinha “coragem”. O suspeito negou e a vítima se despediu, dizendo que tinha uma consulta médica, mas que enviaria imagens “dos dois” no dia seguinte. Pouco tempo depois encaminhou outro vídeo com a frase: “Antes de eu mandar a minha… Vc manda a sua”. Rdnews
Print de uma das conversas entre o aliciador e a vítima, um adolescente morador de Cuiabá
Segundo Palhares, durante esse diálogo, a vítima já havia percebido que algo estava errado, uma vez que ao mandar a mensagem no plural o suspeito não estava pedindo apenas imagens íntimas dele, mas também de seu irmão, que ainda é uma criança.
“Quando ele [vítima] percebeu que estavam pedindo a foto do irmãozinho dele, foi aí que ele ‘pescou’, e falou: ‘Tem alguma coisa errada aqui’. Ele viu o que fez, que deu um mau passo e aí foi buscar apoio em quem? No pai e na mãe. Então, acolham seus filhos, mesmo diante de uma situação que eles erraram. Erraram no sentido de acreditar que estavam falando com uma adolescente e acabaram se expondo demasiadamente”, afirmou Palhares.
Conversas com outras vítimas mostram o suspeito se apresentando como a adolescente, dizendo ser de Minas Gerais e a vítima afirmando ser de Goiás. Quando questionado sobre o motivo que o levou a seguir e conversar com a vítima, o aliciador disse: “Achei você bonito e segui”.
Em outro diálogo, a vítima recebe um vídeo íntimo de visualização única, supostamente da adolescente – que na verdade era o suspeito – e a vítima disse não ter conseguido ver, ao que o suspeito pede para o adolescente “relaxar” que enviaria outro, mas que antes a vítima deveria enviar um vídeo íntimo também, chegando a dar instruções de como fazê-lo: “Faz um vídeo pequeno abaixando só um pouco a cueca”. Rdnews
Prints de outras conversas entre vítimas e o aliciador
Controle dos pais e responsáveis
A delegada reforça que é necessário o controle dos pais e responsáveis em relação aos acessos que seus filhos – adolescentes e crianças – têm na internet, em especial, os perfis de jogos e de redes sociais. Palhares ensinou como os responsáveis podem realizar esse controle no jogo Roblox, entretanto, destacou que esse monitoramento e diálogo com os filhos se inicia dentro de casa.
“Não adianta a gente delegar para o Governo uma responsabilidade que é nossa, como pais. São verdades difíceis de engolir, mas vamos lá. O melhor controle, e o principal controle, não é o controle do Estado, é o controle dos pais sobre o que o seu filho acessa, o que ele vê, o que ele conversa na internet”, declarou.
Veja o vídeo, abaixo, com instruções para proteger seus filhos no jogo Roblox:
Vendas na Dark Web
A delegada afirmou à reportagem que a equipe ainda irá aprofundar a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados da Operação Jogo de Ilusão, mas tem convicção de que o aliciador vendia o material de pornografia infantil na Dark Web – parte da internet conhecida por atividades ilícitas -, em que se faz presente uma grande rede de pedófilos. Segundo Palhares, uma foto exclusiva pode ser vendida a R$ 500.
“Você pode adorar um filme que você assistiu uma vez, duas vezes, três vezes, mas chega uma hora que você vai enjoar. Então, o mercado consumidor desse tipo de mídia quer novidade. Por isso que é um mercado valorizado na mídia clandestina, de comercialização. Então, ele pode ter vendido. Eu tenho convicção de que sim”, afirmou.
Investigações continuam
Ainda segundo Palhares, no dia do em que a equipe realizou o cumprimento dos mandados de buscas, o suspeito não foi localizado na casa em que reside. Segundo a delegada, ele está em Caldas Novas (GO), cidade onde os mandados foram cumpridos. No entanto, o suspeito não especificou em que local específico.
“Nós fizemos diligências, tentamos contato para ele para se apresentar e ser ouvido imediatamente, mas ele recusou. Agora nós vamos encaminhar uma interrogação online para ele, para ser interrogado sobre os fatos”, afirmou.
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