Israel e a separação necessária entre governos e população

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Rodinei Crescêncio

Nesta semana, o embaixador de Israel, Daniel Zohar Zonshine, visitou Mato Grosso para estreitar laços comerciais. Esta visita, visou fomentar o intercâmbio econômico em diversos setores, reforçando o papel fundamental do comércio na diplomacia moderna. A promoção das relações comerciais entre nações que possuem diferentes contextos culturais e políticos é, sem dúvida, um tema que exige análise cuidadosa e compreensão da complexa relação entre o povo e os governos que os representam. “ A prática de responsabilizar a população pelas ações de um governo não democrático, ou impopular, torna-se uma medida cruel, que ignora a diversidade e os desafios enfrentados pelo povo”

Atualmente, Israel possui um governo com uma postura política de direita, adotando políticas internas e externas que refletem sua ideologia. Contudo, é importante lembrar que a política de um governo nem sempre representa fielmente o desejo ou a opinião da totalidade de sua população. Assim como Mato Grosso representa economicamente seu povo, Israel também se apresenta ao mundo como uma economia diversificada e forte, impulsionada pela agricultura avançada, tecnologia e inovação. No entanto, esses aspectos econômicos não devem ser confundidos com a orientação política de seus líderes.

Historicamente, há uma distinção clara entre as políticas adotadas por um governo e as aspirações de seu povo. A teoria das Relações Internacionais nos ensina que a política externa de um país é, muitas vezes, moldada por interesses de segurança e sobrevivência do Estado, e nem sempre reflete as opiniões do cidadão comum. A economia de Israel, por exemplo, simboliza os esforços de trabalhadores, empresários, pesquisadores e agricultores, que contribuem diariamente para seu desenvolvimento e independência econômica. Portanto, a ideologia política, seja de direita ou de esquerda, não deveria interferir em relações comerciais que beneficiam a população como um todo.

O comércio, ao longo dos séculos, tem sido uma das formas mais eficazes de construir pontes entre culturas e povos. A teoria da interdependência complexa, desenvolvida por Robert Keohane e Joseph Nye, argumenta que as relações comerciais entre países podem reduzir tensões e promover a paz, pois quanto mais interligadas estiverem as economias, menores são as chances de conflito entre elas. A ideia é que a economia cria um espaço neutro onde interesses comuns podem florescer, independentemente das divergências políticas. Nesse sentido, as relações comerciais entre Mato Grosso e Israel devem ser analisadas como uma oportunidade de fomentar o desenvolvimento mútuo e promover o entendimento entre as nações.

Um exemplo análogo é o relacionamento dos Estados Unidos com Cuba. Por décadas, a população cubana foi afetada pelo embargo econômico imposto pelos EUA, que visava pressionar o governo cubano a mudanças políticas. No entanto, essa política de isolamento econômico resultou em dificuldades principalmente para o povo cubano, que sofreu as consequências de restrições ao acesso a bens essenciais e tecnologias.

Esse exemplo demonstra como a punição econômica direcionada ao governo, muitas vezes, atinge de maneira desproporcional a população, que não possui controle direto sobre as decisões políticas de seus líderes. A prática de responsabilizar a população pelas ações de um governo não democrático, ou impopular, torna-se uma medida cruel, que ignora a diversidade e os desafios enfrentados pelo povo.

O Brasil, um país reconhecido pela sua pluralidade e pela defesa de relações multilaterais, pode e deve se valer de sua postura diplomática para facilitar laços comerciais que atendam aos interesses populares, separando-os de questões ideológicas. Em Mato Grosso, uma região onde o setor agrícola desempenha um papel essencial para a economia local, parcerias com Israel podem trazer avanços significativos em tecnologias agrícolas, melhorando a produtividade e a sustentabilidade. A diplomacia brasileira, ao fomentar essas relações, ressalta que o comércio exterior deve ser uma ferramenta para melhorar a vida dos cidadãos, evitando preconceitos e julgamentos políticos.

Algumas vozes podem questionar a moralidade de estabelecer laços comerciais com países cujo governo atual adota posições políticas ou militares controversas. No entanto, o comércio internacional deve ser visto de forma pragmática, como um meio de apoiar as populações locais. A teoria da paz pelo comércio, defendida por economistas liberais, destaca que, ao se fortalecerem os laços econômicos, os países têm menos incentivos para o conflito, pois as perdas seriam significativas para ambas as partes. Assim, a continuidade e a ampliação das relações comerciais entre Mato Grosso e Israel, nesse cenário, representam uma estratégia de cooperação que beneficia ambos os povos.

Ao estabelecermos parcerias econômicas com outros países, é essencial lembrar que o cidadão comum, seja ele israelense, cubano ou brasileiro, muitas vezes não compartilha das atitudes e das decisões tomadas por seus governantes. O povo não deve ser penalizado pelas políticas de seus líderes, assim como os benefícios das relações comerciais devem ser promovidos para além das barreiras políticas e ideológicas.

Escrito com Sara Nadur Ribeiro

Mauricio Munhoz Ferraz, é assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, professor de economia. Foi secretário de Estado de ciência e tecnologia e adjunto de infraestrutura do governador Mauro Mendes, superintendente do Ministério da Agricultura em Mato Grosso e diretor do Instituto de pesquisas da Fecomercio. Mestre em sociologia rural, seu livro “o avanço do agronegócio” faz parte do acervo da Universidade Harvard, e seu livro “A lei kandir” na biblioteca do congresso, ambos nos Estados Unidos. Seu livro “Rota de Fuga, a história não contada da SS” esteve entre os 10 mais vendidos na Amazon e foi traduzido para o inglês, pela editora Chiado, de Portugal. Foi vencedor do prêmios internacional “empreedorismo consciente” do Banco da Amazônia e do nacional “Celso Furtado” do governo brasileiro.

Link da Matéria – via RD News

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