
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Estamos a poucos dias da eleição da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acontece em 18 de novembro. Embora o pleito não envolva candidatos a cargos políticos tradicionais, as eleições da OAB são, sem dúvida, um evento político de grande relevância. A escolha dos representantes da advocacia vai muito além de uma simples disputa entre chapas; ela reflete diferentes visões sobre a gestão da entidade e o futuro da profissão. Por isso, a comunicação e o marketing político assumem um papel central no processo.
A diferença de uma campanha técnica e eficiente
Ao contrário das campanhas eleitorais convencionais, as campanhas da OAB enfrentam desafios próprios, como a necessidade de comunicação segmentada, voltada para um público altamente qualificado e informado. O eleitor da OAB é um advogado que, em geral, valoriza propostas concretas, coerência e um discurso alinhado com as pautas da advocacia. Nesse contexto, o marketing político precisa ser técnico e estratégico, levando em conta a percepção dos colegas de profissão e a representatividade que cada chapa pode oferecer. Aqui, a pesquisa qualitativa tem toda a sua importância para entender o que os advogados estão buscando em um candidato.
A construção da narrativa: ética e valorização da advocacia
Um aspecto fundamental para o sucesso de qualquer campanha eleitoral da OAB é a construção de uma narrativa que tenha ressonância com o eleitorado. Temas como valorização da advocacia, defesa das prerrogativas profissionais e ética na gestão da Ordem são frequentemente abordados. Porém, mais importante que levantar essas bandeiras é fazer isso com autenticidade e conexão. Cada chapa precisa mostrar como pretende efetivamente agir em defesa dos interesses da categoria, apresentando um plano de ação claro e viável.
A força das redes sociais e o engajamento digital
A comunicação digital nas eleições da OAB tem ganhado cada vez mais força. As redes sociais se tornaram um palco fundamental para o diálogo entre os candidatos e o eleitorado. Por meio de vídeos, lives e posts interativos, é possível atingir um grande número de advogados de forma rápida e eficaz. No entanto, o desafio aqui é encontrar o equilíbrio entre o uso estratégico das redes e a manutenção de um tom institucional e respeitoso, que transmita a seriedade que o pleito exige.
O desafio do voto consciente
Um ponto que merece destaque é a importância de uma comunicação que incentive o voto consciente. Com a pluralidade de chapas e propostas, é essencial que os eleitores façam uma análise crítica das ideias apresentadas. Mais do que slogans e promessas, o que deve pautar o voto é a análise da trajetória dos candidatos e a coerência de suas propostas com as demandas atuais da advocacia.
Conclusão: um pleito que exige preparo e profissionalismo
A eleição da OAB deste ano será um teste importante para as chapas concorrentes, não apenas pela disputa em si, mas pela capacidade de se comunicar de forma eficaz e atingir os advogados em um período de tempo curto e intenso. A preparação técnica, o planejamento estratégico e a autenticidade nas propostas serão determinantes para o sucesso.
Em um cenário de intensa competição, vencerá a chapa que souber construir uma comunicação sólida, transparente e que consiga engajar o eleitorado de forma verdadeira. Ao final, o que todos esperamos é uma eleição que fortaleça a OAB e, por consequência, toda a advocacia.
Que vença a chapa que melhor souber representar os interesses e a dignidade da nossa profissão.
Mariana Bonjour é advogada e consultora política. Escreve com exclusividade para esta coluna às sextas-feiras

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