
O deputado federal Coronel Assis (União Brasil) discorda do posicionamento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, classificando as explosões na Praça dos Três Poderes como “um dos mais graves atentados” contra a instância máxima do Poder Judiciário brasileiro. O magistrado é relator na Corte dos inquéritos que investigam os atos violentos de 8 de janeiro de 2023.
Thaís Fávaro
Em seu pronunciamento sobre o suposto atentado, Alexandre de Moraes rechaçou a hipótese de uma anistia aos condenados pelos ataques violentos de 8 de janeiro ao Supremo, ao Congresso Nacional e ao Palácio do Planalto. O projeto de anistia que tramita na Câmara dos Deputados vem sendo defendido por aliados do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), o que inclui o Coronel Assis.
“A PF já está em vias de conclusão dos inquéritos dos autores intelectuais [do 8 de janeiro]. Mas isso não terminou, e ontem é uma demonstração de que só é possível essa necessária pacificação do país com a responsabilização de todos os criminosos. Não existe possibilidade de pacificação com anistia a criminosos”, afirmou Alexandre de Moraes.
Sobre a declaração do ministro do STF, Coronel Assis disse que o debate político não pode ser pautado por “fatos isolados”. Além disso, reiterou posicionamento favorável à anistia.
“Em relação à declaração do ministro Alexandre de Moraes contra a anistia, discordo. Sou a favor do projeto, pois avalio que as penas aplicadas no caso do 8 de janeiro estão sendo desproporcionais e sem razoabilidade. É importante frisar que o debate político é legítimo e não pode se pautar por fatos isolados”, defendeu o parlamentar de Mato Grosso, lembrando que pessoas estão sendo condenadas a 17 de prisão e mais multas milionárias por dano ao patrimônio público.
Sobre ao suposto atentado em Brasília, na noite dessa quarta-feira (13), Coronel Assis avalia que é que é um fato grave e, por isso cobra que as investigações sejam sérias e isentas. Neste sentido, considera coerente a declaração do General Amaro, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmando que o autor do ataque apresenta as características de um “lobo solitário”, ou seja, alguém que tomou a decisão de promover o ato por razões próprias, sem associação ou planejamento com outras pessoas. Essa linha de investigação também tem sido adotada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
“A elucidação do caso não pode ser prejudicada por precipitações tendenciosas que tentem criminalizar um lado político, como veiculado desde a ocorrência do incidente”, completa.
Atentado
Duas explosões ocorreram com um intervalo de menos de meio minuto em Brasília, no início da noite de ontem. A primeira, em um carro estacionado no Anexo IV da Câmara dos Deputados. A segunda aconteceu em frente ao próximo ao prédio do STF. Um homem identificado como Francisco Wanderley Luiz morreu ao detonar explosivos.
Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela
Segundo o G1, Francisco lançou um explosivo sob a marquise do STF e, ao ser abordado por um segurança, exibiu dispositivos presos ao corpo. Em seguida, se deitou e acionou um explosivo posicionado na cabeça.
De acordo com o boletim da Polícia Civil do Distrito Federal, Francisco era conhecido como “Tiu França”. Ele era dono do carro com explosivos e foi candidato a vereador em 2020, pelo PL, em Rio do Sul (SC), mas não se elegeu.
Francisco também mantinha uma presença ativa nas redes sociais, onde publicava conteúdos conspiratórios. Também expressava opiniões anticomunistas, algumas alinhadas com teorias de extrema-direita, como o movimento QAnon.
Nos dias anteriores ao ataque, Francisco publicou mensagens ameaçadoras contra a Polícia Federal (PF) e o STF. Nos textos, fazia referências a explosivos e desafios à segurança das instituições.
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