Testemunha atesta pressão e diz que instrutor não “temia perder a farda”

Imagem

Durante depoimento na primeira audiência de instrução e julgamento, na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, nesta segunda-feira (11), referente ao caso em que o aluno soldado Lucas Veloso Peres , de 27 anos, que morreu afogado em treinamento na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, uma testemunha, que também fazia o curso, afirmou que havia muita pressão contra os alunos, por parte do capitão bombeiro Daniel Alves de Moura e Silva – responsável pelo treinamento – e que Daniel afirmava não ter “medo de perder a farda”.

A testemunha, que é bombeiro militar e foi colega de Lucas no fatídico treinamento, afirmou ao  juiz Moacir Rogério Tortato em depoimento que, durante todo o curso de salvamento aquático, os alunos eram pressionados por Daniel e pelo soldado Kayk Gomes dos Santos – um dos instrutores do curso – principalmente os que tinham dificuldades e que isso era considerado algo “comum”. A testemunha também relembrou que Lucas enfrentou dificuldades, em vários momentos ao longo do treinamento. 

Montagem/Rdnews

“Ele [capitão] não admitia frouxura (sic) e falava que não se importava de perder a farda por isso”, a testemunha disse ainda que não havia mudanças no comportamento de Daniel, mesmo quando alguns alunos passavam mal ou vomitavam.

Detalhou momentos antes da morte

A testemunha confirmou que os alunos foram divididos em duplas que deveriam atravessar a lagoa a nado, entretanto, Siqueira afirmou que Daniel havia ordenado que os alunos não utilizassem o equipamento de flutuação (life belt) como apoio na travessia. Ao longo do treinamento, Jonathan disse que Lucas precisou utilizar o equipamento pois estaria com dificuldades.

Nesse momento, relembrou que ouvia Daniel e o soldado Kayk ordenando por três vezes que Lucas soltasse o life belt, momento em que Kayk mergulhou e retirou o equipamento de Lucas. Após essa ação, Lucas apresentou ainda mais dificuldade e se apoiou nos colegas para conseguir seguir com o treinamento, entretanto Daniel teria entrado na água e dito que Lucas “nadaria com ele”. Depois disso, os demais alunos continuaram a travessia e quando finalizaram a atividade, foram informados que Lucas havia sido socorrido após se afogar.

Outra testemunha, relembrou que Lucas pedia ajuda aos colegas, dizendo que “não aguentava mais”. Relatava estar cansado, mas Daniel não permitia que o apoiasse ou que ele parasse e ordenava que os alunos continuassem a travessia chegando a ameçar Lucas: “Se eu for até aí, vai ser pior”.

Capitão e soldado se tornaram réus

Nos dias 15 e 18 de março, Daniel e Kayk prestaram depoimentos divergentes sobre o caso, o que levou a defesa da família de Lucas a explorar essas contradições, pois cada um narrou os fatos de maneira diferente, com relatos que nem se complementam.

No dia 27 de junho, o juiz Moacir Rogério Tortato, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, recebeu a denúncia contra os dois bombeiros, tornando-os réus . Além disso, o magistrado analisou e rejeitou a tese de nulidade do inquérito policial levantada pela defesa de Daniel. 

O caso

Lucas Veloso era natural de Goiás e estava fazendo um treinamento de salvamento aquático, no dia 27 de fevereiro, quando teria se afogado. A vítima foi levada ao Hospital H-Bento, mas não respondeu às tentativas médicas e teve o óbito declarado. Ele foi enterrado em Caiapônia (GO). 

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) abriu investigação sobre o caso e prometeu aprimorar as condições de cursos do Corpo de Bombeiros. 

Lucas não é o primeiro aluno a morrer durante um treinamento dos Bombeiros. Em 2016, o aluno Rodrigo Claro morreu durante atividades aquáticas, também na Lagoa Trevisan. A responsável pelo treinamento, a tenente Izadora Ledur, foi acusada de maus-tratos contra Rodrigo, mas teve a condenação prescrita.

Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI)

Link da Matéria – via RD News

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*