Delegado explica como crianças caem na rede de pedófilos e faz alerta a pais

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Annie Souza/Rdnews

Pedófilos se aproveitam do “abandono digital” dos pais com os filhos na internet para aliciar as crianças e fazê-las enviar fotos nuas. Essa é a avaliação do delegado Clayton Queiroz Moura, titular da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), que atua há pelo menos 4 anos na área. Ele alerta que os pais não podem deixar filhos, principalmente menores de 13 anos, com celular e sem fiscalização.

Ao , o delegado explicou que o primeiro contato dos bandidos com as vítimas acontece por meio de jogos online, como Free Fire e Roblox, ou redes sociais, como o Instagram, TikTok e Discord. Eles, geralmente, se passam por crianças, quase sempre falando ser da mesma idade e tentam conseguir a confiança do menor. Em seguida, levam a vítima para conversas no WhatsApp.

“Mesmo sendo adultos, eles se passam por crianças. E dali, eles (pedófilos) começam a manter contato, começam a ter contatos afetivos. Já começam a falar que querem namorar a criança, que amam. Aí, quando estabelece essa espécie de namoro, eles passam a pedir foto íntima”, explica – veja vídeo

Conforme o delegado, a maior parte das vítimas, em Cuiabá, têm entre 7 e 11 anos de idade. Os pedófilos pedem fotos de menores desta faixa etária para poder vender na Deep Web para o mundo todo. “Nesse tema a gente tem que separar. Existe aquele que tem prazer, que tende a fazer (abuso). Mas, existe aquele também que, deve colocar como maioria, que obtém a foto e a vende. O interesse dele então seria econômico”.

O preço de um “pacote” de fotos ‘exclusivas’ pode chegar a R$ 500 no ‘mercado paralelo’. “Geralmente, o que eles mais se interessam são por fotos e vídeos íntimos. Via de regra eles nunca mandam foto de si mesmo, por lógica, senão a criança vai ver que aquela pessoa não é quem diz que é”, ressalta o delegado.

“E quando eles obtêm, o que a gente chama de ‘fotos inéditas’, que são aquelas que foram tiradas e nunca rodaram na internet, geralmente tem um valor mais elevado. Já vi anúncio de packs, que é um álbum com várias fotos, por R$ 500. É um valor expressivo para internet. As transferências são feitas por Bitcoin, porque a rastreabilidade é mais difícil”, explica.

Para o delegado, é primordial que os pais tenham controle sobre o que os filhos acessam e sobre quanto tempo ficam na internet. É necessário, segundo ele, estabelecer uma relação de confiança com a criança, não apenas dizendo o que não pode fazer/acessar, mas também explicando os motivos disso.

O delegado alerta ainda que os pais devem desconfiar de certos padrões. “O pai deve olhar e desconfiar de determinados comportamentos como o isolamento, se o filho se tranca em quarto, banheiro, fica embaixo do cobertor. Todas as vezes que um adulto chega próximo a criança sai perto. Às vezes é normal da criança ter vergonha, mas saiba o que ela está vendo”, destaca.

Caso o pai descubra que a filha (o) foi vítima desse crime, o delegado pede que sempre denuncie. Ele orienta ainda que os pais não devem apagar a foto íntima da criança, pois ela vai ajudar na investigação e na condenação do pedófilo.

“Se descobriu, não apague foto, porque depois a gente pode ficar sem elementos para a investigação. Dentro da delegacia, tudo o que envolve esse tema tramita em segredo de Justiça. Essa foto não vai ficar sendo espalhada para nenhum lugar”, assegura.

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Link da Matéria – via RD News

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