Trump de volta ao poder: o que isso significa

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Rodinei Crescêncio

As eleições presidenciais dos Estados Unidos são sempre um momento de grande atenção global, refletindo não apenas a escolha da população americana, mas também sinalizando mudanças e continuidades nas políticas internas e internacionais do país. A vitória de Donald Trump em 2024 marca seu retorno à Casa Branca após quatro anos de Joe Biden, reacendendo discussões sobre as direções políticas e econômicas que os EUA tomarão nos próximos quatro anos e seus impactos globais.

Internamente, o segundo mandato de Trump deve se basear em temas que marcaram seu primeiro governo, incluindo políticas econômicas protecionistas e uma postura rígida sobre imigração. Suas propostas de reduzir a regulamentação e promover uma economia mais favorável ao mercado interno americano tendem a impactar as relações comerciais dos EUA com parceiros internacionais. Para o mercado global, isso pode significar uma nova era de tarifas e sanções comerciais, afetando principalmente setores como o aço, o alumínio e a tecnologia, nos quais Trump historicamente adotou uma política restritiva em prol das empresas americanas. “ A vitória de Trump representa uma reviravolta nas políticas adotadas durante o governo de Biden, trazendo um misto de previsibilidade e incerteza para as relações internacionais”

Externamente, a vitória de Trump é vista com particular atenção por vários aliados e adversários dos EUA. Em relação ao Brasil, é possível que as relações bilaterais se fortaleçam, especialmente em áreas de interesse mútuo, como comércio, segurança e o agronegócio. Durante o governo anterior de Trump, o presidente brasileiro da época estabeleceu uma relação de afinidade com a administração americana, especialmente em temas de política externa e ideologia. Se essa relação se renovar, é provável que o Brasil e os EUA cooperem em áreas como a produção agrícola, o comércio de commodities e a política ambiental.

Contudo, o retorno de Trump à presidência traz incertezas para questões climáticas e ambientais. Em seu primeiro mandato, Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, uma decisão revertida por Biden ao assumir a presidência em 2021. Agora, a comunidade internacional observa com cautela a abordagem de Trump em relação ao combate às mudanças climáticas. Para o Brasil, país com uma enorme responsabilidade ambiental devido à Amazônia, essa possível mudança de postura americana pode abrir espaço para uma política mais flexível em relação ao uso da terra e desmatamento. Ao mesmo tempo, pode haver uma pressão maior para que o Brasil alinhe suas políticas ambientais às práticas americanas, que podem adotar um tom menos restritivo.

No contexto geopolítico, Trump tende a manter uma postura de rivalidade acentuada com a China, uma abordagem que já se tornou parte da política externa americana. A continuidade dessa postura pode ser benéfica para o Brasil, que busca fortalecer suas exportações agrícolas e pode se beneficiar de tensões comerciais entre EUA e China. No entanto, essa postura também pode gerar instabilidade para a economia global, afetando tanto países em desenvolvimento quanto economias mais avançadas.

Assim, a vitória de Trump representa uma reviravolta nas políticas adotadas durante o governo de Biden, trazendo um misto de previsibilidade e incerteza para as relações internacionais. No caso do Brasil, a perspectiva é de cooperação em temas econômicos, mas com potenciais desafios no campo ambiental e nas negociações multilaterais. A resposta do Brasil a essas mudanças será fundamental para determinar o impacto de um segundo mandato de Trump nas relações bilaterais e nos esforços para manter uma relação equilibrada e mutuamente benéfica com uma das maiores potências mundiais.

Escrito com Sara Nadur Ribeiro.

Mauricio Munhoz Ferraz, é assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, professor de economia. Foi secretário de Estado de ciência e tecnologia e adjunto de infraestrutura do governador Mauro Mendes, superintendente do Ministério da Agricultura em Mato Grosso e diretor do Instituto de pesquisas da Fecomercio. Mestre em sociologia rural, seu livro “o avanço do agronegócio” faz parte do acervo da Universidade Harvard, e seu livro “A lei kandir” na biblioteca do congresso, ambos nos Estados Unidos. Seu livro “Rota de Fuga, a história não contada da SS” esteve entre os 10 mais vendidos na Amazon e foi traduzido para o inglês, pela editora Chiado, de Portugal. Foi vencedor do prêmios internacional “empreedorismo consciente” do Banco da Amazônia e do nacional “Celso Furtado” do governo brasileiro.

Link da Matéria – via RD News

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