
O ex-vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli (PL), é citado no relatório do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) como articulador de um suposto plano para retirar Flávia Moretti (PL) do Executivo e assumir o comando do município. Segundo os relatos reunidos na investigação, a estratégia envolveria o financiamento da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal e a formação de uma base de apoio para viabilizar a cassação da prefeita.
Conforme o relatório, uma testemunha com identidade preservada afirmou que, antes mesmo da posse de Flávia, em janeiro de 2025, o vereador Kleberton Feitoza Eustáquio (PSB) teria organizado uma reunião com o denunciante em um apartamento pertencente ao parlamentar. No local, um segurança teria revistado o visitante e exigido que entregasse o celular para impedir que a conversa fosse registrada.
Ainda segundo o relato, Feitoza teria dito que o então vice-prefeito Tião da Zaeli estaria financiando a eleição da Mesa Diretora da Câmara em troca de benefícios do Poder Executivo para empresas mencionadas na investigação. Entre elas estão a WR Cerqueira Construtora Ltda., que pertenceria ao filho do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), a União Transportes e Turismo Ltda. e a Construtora Nhambiquaras Ltda.
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O denunciante afirmou que, segundo Feitoza, o objetivo de Tião seria “derrubar” Flávia antes mesmo de ela tomar posse. Caso a prefeita assumisse, o plano seria manter influência sobre a Mesa Diretora para viabilizar a abertura de um processo político-administrativo na Câmara Municipal destinado a afastá-la e cassar seu mandato. Isso abriria caminho para que Tião da Zaeli assumisse o cargo de prefeito.
O relatório também relaciona a suposta articulação à tentativa de manter Wanderley Cerqueira na presidência da Câmara no biênio 2027/2028 e formar maioria parlamentar para pressionar a prefeita.
Em depoimento ao Gaeco, o vereador Caio Cordeiro (Novo) afirmou que Tião pediu seu apoio à reeleição de Wanderley para a presidência da Câmara e mencionou a possibilidade de cassação de Flávia Moretti.
Caio também relatou que, após iniciar fiscalizações envolvendo a União Transportes, Wanderley teria oferecido a ele um pagamento mensal de R$ 10 mil. O vereador afirmou ainda que recebeu uma proposta de R$ 100 mil em troca de seu voto pela recondução do presidente da Câmara, mas disse ter recusado.
Procurado, Tião da Zaeli negou as acusações atribuídas a ele e afirmou que são “infundadas e não correspondem à realidade dos fatos”.
Em nota, o ex-vice-prefeito disse que renunciou ao cargo em 31 de março deste ano por decisão voluntária, motivada por discordâncias em relação ao cenário político de Várzea Grande e aos rumos da administração municipal. Ele afirmou respeitar o Ministério Público, o Poder Judiciário e a imprensa, além de confiar na apuração dos fatos.
Leia a nota na íntegra
Nota de esclarecimento
Em razão das notícias veiculadas nesta quarta-feira (21), o ex-vice-prefeito de Várzea Grande, Sebastião dos Reis Gonçalves, Tião da Zaeli, nega categoricamente as acusações a ele atribuídas, afirmando que são infundadas e não correspondem à realidade dos fatos.
Tião da Zaeli ressalta que sua renúncia ao cargo de vice-prefeito, em 31 de março deste ano, foi uma decisão voluntária, motivada por sua discordância em relação ao cenário político instalado no município e aos rumos da administração municipal.
O ex-vice-prefeito reafirma seu respeito ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e ao trabalho da imprensa. Confia na apuração rigorosa e imparcial dos fatos e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, reiterando a importância de que as informações sejam tratadas com responsabilidade e respeito ao devido processo legal.

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