Ranalli é denunciado por vídeo que ataca religiões de matriz africana

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O vereador por Cuiabá Rafael Ranalli (PL) foi denunciado à Polícia Civil e ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) depois de postar um vídeo com uma informação falsa associando o Partido dos Trabalhadores com um “ritual de invocação”. A postagem, que apresenta trecho de uma apresentação no evento Marcha para Exu, deu espaço para uma infinidade de ofensas e ataques contra as religiões de matriz africana.

Na documentação relativa à denúncia, é solicitado que seja apurada a conduta de discriminação de cunho religioso com o agravante de isso ter ocorrido em ambiente de redes sociais. Também é questionada a possibilidade de conduta associada à injúria racial.

A denúncia afirma que a postagem de Ranalli reproduz “estigmas religiosos contra tradições afro-brasileiras” e que as culturas do Candomblé e Umbanda não se confundem com as tradições do cristianismo.

 

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No dia seguinte à denúncia Ranalli deletou a postagem e fez uma retificação com um dois vídeos na mesma postagem. Ao lado vinha a informação: “Errata: o vídeo da esquerda não é da manifestação de domingo do PT”.

Serviços de checagem como o UOL Confere, Aos Fatos e a AFP Checamos, esta última ligada a uma das maiores agências de notícias do mundo, classificaram o conteúdo como falso poucas horas depois da viralização em bolhas da direita.

Não é a primeira vez que Ranalli se tornou alvo das autoridades neste ano. Ranalli é alvo de um inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar o episódio em que ele chamou o colega, Daniel Monteiro (Republicanos), de “baitola” dentro do plenário da Câmara Municipal durante uma sessão plenária. O caso foi registrado em 19 de maio deste ano.

No dia 9 de outubro, foi denunciado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) em razão de uma postagem feita na sua conta do Instagram, em que ofende as pessoas que moram na região Nordeste do país.

Durante a apresentação de projeto de lei apresentado pelo parlamentar que estabelece o sexo biológico como único critério para definição de gênero em competições esportivas, Ranalli proferiu declarações transfóbicas e consideradas desumanizantes à população LGBT+. Por isso, foi denunciado à Justiça pela Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso e a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso.

 

Sobre a postagem
O conteúdo mostra o cantor Joia de Couro citando “Satanás” em uma apresentação na Marcha para Exu, realizada em 16 de agosto. O vídeo era acompanhado da chamada “Campanha de Lula vira ritual de invocação” e trazia a legenda “Manifestação pró Lula se transforma num ritual satânico no meio da Avenida Paulista”.

A intenção era associar o evento religioso com a campanha do candidato a reeleição Luís Inácio Lula da Silva (PT), que fez ato público na mesma avenida no dia 11 de outubro no contexto do segundo turno da eleição presidencial. No dia 14 de outubro, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que as plataformas digitais tirasse do ar todos os vídeos relacionados.

A postagem apresenta parte da apresentação do artista Joia do Couro. No vídeo, o cantor performa uma música que, em um trecho, diz “Satanás, cadê você?”. O substantivo próprio “Satanás” não tem o mesmo caráter que nas tradições cristãs, já que na Quibanda não existe a dicotomia bem e mal. Outro nome comum na religião que não tem o mesmo sentido do senso comum cristão é “Belzebu”.

 

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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