
Será o dia da votação no segundo turno nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. Esta será uma eleição tão emblemática quanto foi a de 1998. Foi quando surgiu um dos grandes males da redemocratização: a polarização entre PTxPSDB. O candidato Lula, do PT, disputou a presidência contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. FHC venceu; era a esquerda contra a centro-esquerda. Na verdade, eram faces iguais da mesma moeda. O PSDB era tão esquerda quanto o PT. Só diferença de rótulos.
Na eleição de 2002, o mesmo Lula disputou contra José Serra, do PSDB, com apoio velado do presidente FHC ao candidato do PT. Velhas alianças e simpatias mútuas. Venceu Lula. Nasceu ali a polarização PTxPSDB que prosseguiu na reeleição de Lula em 2006, de Dilma Rousseff em 2010 e em 2014. Em 2014 pareceu o fim da polarização com o impeachment de Dilma em 2016. Em 2018 a polarização foi bem reduzida entre Fernando Haddad, do PT, e Jair Bolsonaro, do PSL. Nascia ali uma das polarizações mais violentas da história do Brasil. Continua forte nesta eleição em 2026.
Na verdade, a polarização só favorece os partidos e os grupos políticos envolvidos. A população só perde tempo e energia com a disputa. Esta eleição de 2026 deve marcar o fim das polarizações, e a racionalidade deverá voltar nas próximas eleições presidenciais de 2030.
Outro ponto será a atuação de qualquer um dos eleitos. Se for Lula, continuará a expansão do Estado, o aumento dos gastos públicos e a inevitável e incalculável crise nas contas públicas. O crescimento do déficit público. Lula vem anunciando abertamente que o desenvolvimento só vem com os investimentos nas benesses do Estado. Especialmente os investimentos sociais. Mas os cofres públicos já não suportam mais o déficit, e o aumento de impostos está no limite tolerável.
Há que se considerar que a geopolítica mundial mudou muito nos últimos anos e está mudando a cada dia. O papel do Brasil é importante nesse universo. Por isso preciso rever suas posições ideológicas na diplomacia brasileira, na relação com o mundo exterior. O Brasil sempre teve uma das melhores diplomacias do mundo. Hoje está reduzida ao interesse por meia dúzia de países ideológicos afins. O Brasil está patinando diplomática e economicamente diante do mundo moderno.
Se Flávio Bolsonaro vencer, o seu discurso é o inevitável. Reduzir o tamanho do Estado, reduzir custos, diminuir a burocracia federal e normalizar os salários das castas na cúpula do governo em todos os poderes. Isso equivale a uma terceira guerra mundial porque vai ferir todos os interesses do chamado Sistema. Certamente vai gerar crise na economia e na administração pública. No Brasil cortar gastos sempre incomoda as elites.
Na segunda-feira, o Brasil vai amanhecer sob a hipótese de dois ares. A continuidade do Brasil atual com sinais de grandes crises de governabilidade. Ou o começo de gestão nova sobre o Estado, sobre a economia, sobre a política, sobre o combate às castas e um enorme arrocho econômico sobre as contas públicas.
Trata-se de uma data que vai gerar novos ares. O futuro do Brasil virá a partir do dia 25 de outubro.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
Onofreribeiro1944@gmail.com

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