
Com mais de 3 décadas de trajetória, o artista plástico e arte-educador Bosquê construiu uma carreira marcada pela pintura, educação e valorização cultural. Natural de Garça, no interior de São Paulo, mas vivendo em Cáceres, Mato Grosso, desde 2005, encontrou nas experiências da infância, nas relações humanas e na diversidade cultural a inspiração para desenvolver uma linguagem própria, influenciada pelo expressionismo e surrealismo.
Nascido em 4 de agosto de 1973, Bosquê teve os primeiros contatos com a arte ainda criança, incentivado pelo pai, pedagogo. Durante a infância e adolescência, participou de apresentações culturais, desfiles escolares e produções artísticas, experiências que contribuíram para superar situações de bullying e fortalecer sua identidade.
Acervo Pessoal
“Tive minha formação artística desde criança, incentivado por meu pai, pedagogo. Desde criança e adolescente, construí minha trajetória representando minha escola em desfiles e apresentações culturais, o que me fez superar diversas situações de bullying e contribuiu para uma melhor construção da minha identidade”, relata.
Aos 11 anos, começou a aprender pintura a óleo sobre tela com o artista autodidata Eudes Roberto, de Franca (SP). Posteriormente, ingressou na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, onde aprofundou seus conhecimentos e teve contato com artistas como Iberê Camargo, Tomie Ohtake, Manabu Mabe e Sérgio Mauro Romagnolo.
“Conhecer diversos artistas, como Iberê Camargo, e o poeta Nilton Viana, pelas vivências e diálogos diretos, me inspirou a produzir meu estilo expressionista e surrealista, no qual expresso formas e conceitos da sociedade, da humanidade e do mundo, com um estilo próprio e autoral”, explica Bosquê.
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O reconhecimento começou na década de 1990. Em 1994, recebeu menção honrosa no X Salão de Arte Contemporânea de Presidente Prudente, com a obra A Despedida. Três anos depois, foi finalista do Mapa Cultural Paulista, com Reflexos de uma Criação, apresentada no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Sua trajetória também reúne exposições em diferentes cidades paulistas e espaços culturais de Mato Grosso, como o Museu de Arte de Mato Grosso (MAMT), o Museu da Caixa D’Água e o Museu de Arte Sacra de Cuiabá. Em 2021, recebeu um dos maiores prêmios de aquisição do 26º Salão Jovem Arte de Mato Grosso, com a pintura No Colo do Altíssimo.
Arte que ultrapassa as telas
A ligação de Bosquê com Mato Grosso começou em 1995, durante uma visita ao estado. Inspirado pelas paisagens de Cáceres e do Pantanal, passou a produzir obras relacionadas à região. Em 2009, estabeleceu-se definitivamente em Cáceres, ampliando sua atuação artística e educacional.
Graduado em Artes Visuais, licenciado em Educação Artística, especialista em Educação de Jovens e Adultos (EJA) e mestre em Educação Profissional Escolar pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), atualmente é professor do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Campus Professor Olegário Baldo, em Cáceres.
Ao longo da carreira, desenvolveu oficinas de pintura, escultura, teatro de fantoches e história da arte, além de projetos voltados à economia criativa e à formação cultural. Entre 2014 e 2016, participou de iniciativas de formação de jovens ligadas ao Centro de Direitos Humanos da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).
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Sua atuação também alcançou comunidades rurais e aldeias indígenas de Rondônia, onde participou de projetos culturais e educativos. Na literatura, produziu ilustrações e capas de livros, incluindo trabalhos relacionados à história e à diversidade amazônica, como A Arte nos Trilhos do Iata.
Bosquê também atuou como professor de Produção Cultural em cursos de teatro ligados ao Cena Onze e ao MT Teatro, além de integrar o júri do Prêmio MT Artes, na modalidade Artes Visuais, em 2021 e 2023.
Valorização da cultura mato-grossense
Além da produção individual, Bosquê se dedica à organização coletiva dos artistas. Em 2015, idealizou a Associação dos Artistas Plásticos do Estado de Mato Grosso (ARTEMAT), entidade da qual é atualmente presidente.
A associação reúne mais de 90 artistas, conforme seu portfólio, e promove exposições, eventos, curadorias e iniciativas de valorização da produção regional. Entre as ações estão participações em mostras culturais, na Feira Internacional de Turismo do Pantanal e no Festival Internacional de Pesca Esportiva de Cáceres.
O trabalho também contempla projetos ligados à preservação ambiental, às questões sociais e à democratização do acesso à cultura, incluindo iniciativas vinculadas à Política Nacional Aldir Blanc.
Com uma produção que transita entre pinturas, esculturas, murais, ilustrações e projetos educacionais, Bosquê mantém a arte como instrumento de expressão e transformação social. Uma trajetória que começou nas primeiras pinceladas da infância e hoje encontra espaço nas escolas, museus e comunidades de Mato Grosso. Para Bosquê, a arte é também uma forma de expressão política e social, na qual ele consegue criar espaços fictícios que fazem críticas ao que é real e importante na sociedade.

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