Ranalli é denunciado ao MP por ofensa a nordestinos; Polícia Civil investiga fala homofóbica na Câmara

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O vereador por Cuiabá, Rafael Ranalli (PL), foi denunciado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) em razão de uma postagem feita na sua conta do Instagram, em que ofende as pessoas que moram na região Nordeste do país. O post foi feito no dia 6 de outubro e ficou no ar por 24 horas. O parlamentar já é alvo de inquérito na Polícia Civil por ter chamado um colega parlamentar de “baitola” em sessão da Câmara Municipal em maio deste ano.

O episódio de xenofobia foi registrado após o primeiro turno da eleição presidencial deste ano. Nos stories do seu Instagram, o parlamentar compartilhou uma imagem do mapa do Brasil em que a região Nordeste aparecia no formato da cabeça de um burro, termo que também é usado para ofender pessoas questionando sua inteligência.

O candidato à reeleição, Luís Inácio Lula da Silva (PT), venceu em todos os nove estados da região no primeiro turno, sendo a única em que o candidato apoiado por Ranalli, o senador Flávio Bolsonaro (PL), teve menos votos que Lula.

Conforme o MP, a denúncia foi feita por meio da ouvidoria do órgão e será encaminhada para a análise da 8ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital. Esse encaminhamento não significa que foi aberta uma investigação ou mesmo um processo contra o parlamentar, mas marca o início de um procedimento interno para verificar se há ou não elementos para que a denúncia se torne um processo judicial. A denúncia foi protocolada no dia 7 de outubro e tramita em sigilo.

 

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Além da denúncia formalizada no Ministério Público, Ranalli é alvo de um inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar o episódio em que ele chamou o colega, Daniel Monteiro (Republicanos), de “baitola” dentro do plenário da Câmara Municipal durante uma sessão plenária. O caso foi registrado em 19 de maio deste ano.

A reportagem do apurou que Daniel Monteiro compareceu à delegacia de polícia para prestar esclarecimentos sobre o episódio. Procurado, ele não deu retorno aos contatos. Por meio de nota, a Polícia Civil informou que as diligências estão em andamento e que detalhes do inquérito não serão divulgados para não atrapalhar o andamento da investigação.

A situação ocorreu enquanto Ranalli ocupava o posto de primeiro-secretário em substituição à vereadora Katiuscia Mantelli (Podemos). Enquanto os vereadores registravam voto sobre um projeto de lei, Monteiro fez uma provocação a Ranalli. Como estava longe do microfone, não é possível ouvir o que é dito.

A resposta de Ranalli vem na sequência: “Valeu, petista. Você não vai embora hoje? Vocês não votaram para ele ir embora. O que ele está fazendo aqui ainda? Vai embora, baitola”, diz o vereador. Imediatamente, o parlamentar se dá conta de que o microfone está ligado. Após um breve momento de silêncio, ele volta a pedir que os parlamentares votem a matéria pelo sistema eletrônico da Câmara.

 

Histórico negativo
Ranalli protagoniza episódios controversos mesmo antes de ser eleito. Na convenção partidária do PL, em 2024, ele foi filmado exibindo uma arma de fogo na cintura enquanto estava no palanque. Em junho deste ano, na “Marcha para Jesus”, Ranalli voltou a exibir o revólver em uma situação em que ele estava cercado por uma multidão de pessoas. Nos dois casos, ele afirmou que tem o direito de andar armado por ser policial federal.

Em 2025, disse a uma emissora de rádio que os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes estavam aumentando em razão de famílias desestruturadas em que as mães ofereceriam aos filhos “rodízio de padrastos”.

No mesmo ano, Ranalli apresentou projetos contra a população LGBT+ de Cuiabá: proibir a participação de crianças e adolescentes na Parada do Orgulho LGBT+ de Mato Grosso; fixar o sexo biológico como condição para participação em competições esportivas; restringir a destinação de recursos públicos para eventos com músicas consideradas inadequadas.

 

Questionado sobre as manifestações contrárias às suas propostas vindas da comunidade LGBT+, Ranalli disse: “Quando você toma vermífugo, geralmente os vermes se debatem”.

Já em 2026, Ranalli propôs um projeto de lei chamado “De Volta para Minha Terra”, para promover o retorno de pessoas em situação de vulnerabilidade às suas cidades de origem. Inicialmente, a ideia era que isso fosse feito de forma compulsória, isto é, mesmo que a pessoa não quisesse voltar. Posteriormente, ele voltou atrás e defendeu o direito de cada um decidir sobre isso.

Em outro episódio, em pronunciamento no plenário sobre as emendas parlamentares da bancada federal, disse que havia um lobby e o que chamou de “punhetagem” na destinação desses recursos aos municípios. A linguagem foi criticada por não ser compatível com o ambiente do Poder Legislativo.

Em maio, ele levou uma garrafa de detergente da marca Ypê em protesto pela decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender a fabricação e comercialização dos produtos da empresa por contaminação. O vereador cuiabano acusou a agência reguladora de agir politicamente para atingir os donos da Ypê, que fizeram doações para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quatro anos antes.

 

Veja abaixo as notas enviadas à reportagem

 

Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso

As diligências estão em andamento e detalhes não serão repassados para não atrapalhar o andamento dos trabalhos. 

Ministério Público de Mato Grosso

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) informa que recebeu a denúncia por meio da Ouvidoria da instituição. A manifestação será encaminhada à 8ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital para análise.

 

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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