Amanhã é segunda’; por que o domingo pode despertar ansiedade

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O domingo deveria ser sinônimo de descanso, mas, para muita gente, o fim do fim de semana é marcado por ansiedade, angústia e preocupação. Basta a segunda-feira se aproximar para surgirem pensamentos sobre trabalho, estudos, contas e responsabilidades que ainda nem chegaram, mas já parecem pesar.

 

Conhecida popularmente como “síndrome de domingo” ou Sunday Scaries, a sensação não é considerada um diagnóstico psicológico, mas pode afetar a qualidade do descanso e até antecipar o sofrimento antes do início da semana.

 

Em entrevista ao , a psicóloga Karine Rodrigues explica por que a proximidade da segunda-feira pode desencadear ansiedade, como identificar quando a preocupação deixa de ser algo comum e quais estratégias podem ajudar a tornar o domingo um dia de descanso novamente.

 

Gazeta Digital – Por que algumas pessoas sentem ansiedade ou angústia no domingo à noite?

 

Karine Rodrigues – Acho que uma das principais coisas é que o domingo acaba sendo aquele momento em que a pessoa percebe que o fim de semana está acabando e que a rotina vai voltar. E aí começam aqueles pensamentos: “Amanhã eu tenho que trabalhar”, “Tenho uma semana inteira pela frente”, “Tenho um monte de coisa para resolver”. Então, muitas vezes, a ansiedade nem está acontecendo por alguma coisa daquele momento. A pessoa começa a antecipar a semana e já vai sentindo o peso dela antes mesmo de ela começar.

 

Gazeta Digital –  O que é a chamada “síndrome de domingo” ou “Sunday Scaries”?

 

Karine Rodrigues – É um nome que acabou ficando popular para falar justamente dessa ansiedade ou daquela angústia que aparece no domingo, principalmente no final do dia, quando a segunda-feira começa a ficar mais próxima.

Não é um diagnóstico psicológico. É mais uma forma de descrever uma experiência que é relativamente comum.

Algumas pessoas sentem só uma indisposição, uma preguiça maior, enquanto outras realmente ficam ansiosas, preocupadas e podem até apresentar sintomas físicos.

 

Gazeta Digital –  Por que a proximidade da segunda-feira pode desencadear esses sentimentos?

Karine Rodrigues – Porque a gente não reage só ao que está acontecendo, mas também ao que imagina que vai acontecer. Se a pessoa já associa a segunda-feira à cobrança, excesso de tarefas, pressão ou alguma situação que seja difícil para ela, só de pensar que aquilo vai voltar, o corpo e a mente podem começar a responder. Na TCC, a gente trabalha muito essa relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Então, às vezes, o que está causando aquela ansiedade não é exatamente a segunda-feira, mas o que a pessoa pensa sobre ela.

 

 

Gazeta Digital –  Como diferenciar uma preocupação comum de um quadro de ansiedade?

 

Karine Rodrigues – É normal não estar superanimado porque o fim de semana acabou. Todo mundo pode pensar: “ah, amanhã já é segunda” e ficar um pouco desanimado. O que chama atenção é quando isso começa a ser frequente e intenso. Quando a pessoa não consegue aproveitar o próprio domingo porque fica pensando no dia seguinte, perde o sono, sente sintomas físicos ou percebe que isso está interferindo na rotina, é importante olhar para isso com mais cuidado. 

 

Gazeta Digital –  O trabalho é necessariamente o principal gatilho?

 

Karine Rodrigues – Não. O trabalho é um gatilho muito comum, mas não é necessariamente o motivo para todo mundo. Cada pessoa tem a sua individualidade, suas questões, queixas e gatilhos.O domingo pode trazer à tona várias preocupações que já estavam presentes durante a semana: os boletos que precisam ser pagos no dia útil, os cartões que vão vencer naquela semana, compromissos, responsabilidades e várias outras coisas.

 

Gazeta Digital – Redes sociais e comparação com outras pessoas podem piorar essa sensação?

 

Karine Rodrigues – Podem sim, e muito, principalmente porque nas redes sociais a gente vê muito o recorte da vida das pessoas. A pessoa está viajando, saindo, com a família, aproveitando o domingo, fazendo alguma coisa considerada produtiva… E aí podemos acabar olhando para a nossa própria vida e pensando: “eu deveria estar fazendo isso também”. E isso pode fazer a pessoa se sentir menos por não estar vivendo aquela “realidade” que foi passada na tela do celular.

Hoje em dia, infelizmente, entrou quase dentro da normalidade comparar a realidade, com todos os problemas e responsabilidades, com aquilo que outra pessoa escolheu mostrar.E essa comparação pode fazer um domingo que já estava sendo difícil ficar ainda mais pesado.

 

Gazeta Digital – O que fazer no domingo para reduzir essa ansiedade?

 

Karine Rodrigues –  Eu começaria tentando não passar o domingo inteiro pensando na segunda-feira.

Se organizar um pouco antes pode ajudar. Por exemplo, olhar os compromissos da semana, entender o que realmente precisa ser feito e o que pode esperar. Porque, quando tudo fica só na cabeça, parece que a semana é muito maior do que ela realmente é. Também acho importante permitir que o domingo tenha momentos de descanso e de prazer. Não precisa ser um dia completamente produtivo, porque produção não é sinônimo de prazer. Às vezes, pode ser justamente mais desgastante.

 

Gazeta Digital – Quando é indicado procurar ajuda profissional?

 

Karine Rodrigues – Quando isso começa a se repetir e a trazer um sofrimento que a pessoa não está conseguindo administrar sozinha. E não precisa esperar chegar a um ponto em que esteja muito grave para buscar terapia. Às vezes, justamente entender esse padrão no começo ajuda a pessoa a perceber o que está por trás dessa ansiedade e a encontrar outras formas de lidar com ela. Não precisamos chegar ao ápice para recalcular a rota.

 

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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