Levantamento mostra que adolescentes ‘sentem que a vida não vale a pena ser vivida’

Imagem

O número de mortes por suicídio em Mato Grosso cresceu 23,04% entre janeiro e agosto de 2026, totalizando 267 casos registrados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O aumento acentuado traz à tona um cenário preocupante que afeta com força a juventude do estado: dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE) revelam que 21,5% dos estudantes mato-grossenses de 13 a 17 anos sentem que “a vida não vale a pena ser vivida”, taxa que coloca o estado na 4ª posição do ranking nacional, superando a média brasileira de 18,5%.

 

Segundo o psiquiatra Carlos Periotto, professor da Afya Educação Médica, a vulnerabilidade nessa faixa etária decorre de uma combinação de imaturidade emocional, impulsividade e pressões sociais. A exposição contínua ao ambiente digital atua como um fator agravante significativo nesse processo.

 

Leia também – Sesc faz seletivo para vagas que pagam até R$ 8 ,9 mil

 

“Além de conflitos familiares e sociais, há o impacto das redes virtuais, com comparação constante, alta exposição e busca por pertencimento”, explica Periotto, enfatizando que as redes não criam os transtornos sozinhas, mas intensificam o isolamento e amplificam angústias preexistentes.

 

Riscos no ambiente virtual
A necessidade de aceitação torna adolescentes alvos vulneráveis a abordagens maliciosas na internet. Um reflexo grave dessa exposição ocorreu em agosto de 2026 com a Operação Discórdia, deflagrada pela polícia em Mato Grosso. A ação desarticulou uma rede criminosa atuante na plataforma Discord que manipulava menores em situação de fragilidade emocional, induzindo-os à automutilação e à produção de pornografia infantil.

 

“A sensação de não fazer parte de um grupo pesa muito nessa fase, tornando o adolescente um alvo fácil”, alerta o médico, lembrando que atos impulsivos muitas vezes ocorrem mesmo antes de haver um diagnóstico psiquiátrico formal.

 

Sinais de alerta e a importância do vínculo familiar
Para conter o avanço do sofrimento psicológico, a identificação precoce dos sinais de alerta pela família é decisiva. Mudanças comportamentais como isolamento, irritabilidade, queda no desempenho escolar, alterações no sono ou no apetite, além de falas pessimistas e menções frequentes à morte ou falta de perspectiva, devem ser tratadas com gravidade.

 

O especialista ressalta que o papel dos pais vai além de monitorar o acesso à internet, exigindo a criação de um espaço seguro para conversas sem retaliações.

 

“Não é preciso esperar que a situação se agrave para buscar apoio. Quanto mais cedo a intervenção, melhor o prognóstico”, afirma Periotto. “A prevenção começa com vínculo, escuta sem julgamento e diálogo aberto. O jovem precisa de acolhimento, não de crítica ou punição.”

 

Onde buscar ajuda
Como alternativa para ampliar o acesso ao cuidado especializado no estado, a Afya Educação Médica Cuiabá oferece consultas gratuitas nas áreas de Psiquiatria, Pediatria e Clínica Médica. Os atendimentos são sujeitos à disponibilidade de vagas e devem ser agendados previamente pelo WhatsApp no número (65) 99689-7280.

 

Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil e precisa de apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e confidencial pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*