
O candidato à presidência da República, Augusto Cury (Avante), rebateu, durante passagem por Cuiabá nesta quinta-feira (24), as acusações de misoginia feitas pela adversária mato-grossense Clariana Barão (DC). Ela já havia criticado Cury em duas ocasiões, afirmando que o empresário teria desmerecido sua candidatura nos bastidores e, posteriormente, ignorado sua participação na corrida presidencial ao citar apenas Samara Martins (UP) como mulher na disputa.
Questionado pelo , em coletiva de imprensa, sobre as declarações de Clariana, Cury subiu o tom, admitiu ter conversado com o presidente do Democracia Cristã, João Caldas da Silva, sobre a candidatura da mato-grossense, mas negou que tenha praticado misoginia.
Segundo Cury, a conversa ocorreu em meio a uma articulação política envolvendo o partido e o ex-ministro Aldo Rebelo, que era filiado à sigla e tentava candidatura. Ele afirmou que questionou o lançamento de Clariana por considerá-la pouco conhecida nacionalmente e que teria sugerido uma composição diferente para a legenda.
“Você investigou antes de fazer a pergunta? Você perguntou pra ela? […] João Caldas recebe o Aldo Rebelo, introduz a ele no seu partido[…] [O DC] vai colocar uma advogada que é desconhecida? Isso pode comprometer o futuro como partido. Foi isso que eu falei. Isso é ser misógino ou isso é pacificar?”, questionou.
A declaração faz referência à acusação apresentada por Clariana no início de setembro. Na ocasião, ela afirmou ter ouvido Cury chamar sua candidatura de “advogadinha” e questionar ao presidente do partido a decisão de lançá-la à presidência.
O escritor, entretanto, sustentou que sua avaliação estava relacionada à estratégia política do Democracia Cristã e não ao fato de Clariana ser mulher. De forma indireta, o escritor afirmou que a candidata estaria tentando transformar o episódio em uma vantagem política diante da exposição provocada pela disputa presidencial.
“Mas muitas pessoas querem ganhar vantagem com alguém que está na frente. Isso é cruel”, afirmou.
A segunda acusação de Clariana ocorreu após um debate realizado pelo Metrópoles e pelo podcast Inteligência Ltda., no último dia 18. Na ocasião, Cury citou Samara Martins como a única candidata mulher na disputa pelo governo federal.
Clariana reagiu publicamente e voltou a acusá-lo de misoginia e de violência política de gênero. Ao responder sobre o episódio, Cury admitiu que esqueceu de mencionar a candidatura de Clariana durante o debate.
“Eu falei no Inteligência Limitada, no debate, há mais ou menos uma semana, eu falei que havia só uma candidata, que é a Samara Martins, a concorrente da presidência. E eu me esqueci dela”, reconheceu.
“Eu falei que as mulheres precisam ser ouvidas e parabenizei a Clariana, que eu não conheço. Doutora Clariana, parece que ela é advogada, e parabenizei a Samara Martins e pedi para eles poderem entrevistá-las, porque as mulheres têm que ser ouvidas”, declarou.
Ao concluir a resposta, Cury tentou afastar a interpretação de que estaria em confronto pessoal com Clariana e afirmou que seu objetivo é reduzir a polarização política no país.
“Eu sou da paz. Vamos mudar esse país”, concluiu.

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