
Um dos poucos nomes do Partido Liberal (PL) que têm pedido votos publicamente para a candidatura de Janaina Riva (MDB) ao Senado, o vereador por Cuiabá e candidato a deputado federal Rafael Ranalli (PL) admitiu que a recente mudança na composição da chapa pode causar desgaste à emedebista. Janaina oficializou Danilo Trento como primeiro suplente e o empresário Rafael Torres como segundo, no último dia 12, ambos envolvidos em investigação.
Embora reconheça que os nomes escolhidos podem “arranhar” a candidatura, Ranalli afirmou que a força política de Janaina tende a prevalecer e ponderou que a responsabilidade sobre a composição da chapa é da própria candidata.
“Infelizmente, não podemos escolher os suplentes dos outros. Também acho que pode dar arranhadura na candidatura dela. Porém, a imagem dela é muito forte. Nas outras chapas, eu queria que os nomes dos suplentes fossem muito divulgados, porque, numa dessas, daqui a dois ou quatro anos, o titular sai e o suplente vira senador. Realmente tem que dar visibilidade, ainda mais com os dela, que ela já teve um quiproquó. Pode dar arranhadura, mas quem tem que ser questionada é ela”, afirmou, nesta terça-feira (15).
Histórico dos suplentes
Danilo Trento é investigado pela Polícia Federal (PF) no caso que apura supostos descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. Documentos analisados pela CPMI e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram R$ 55,7 milhões em transferências de uma conta ligada ao grupo J&F para empresas relacionadas ao empresário. Convocado pela CPMI, Trento não compareceu após obter habeas corpus no STF.
O empresário também ganhou notoriedade durante a CPI da Covid, em 2021, por sua ligação com a Precisa Medicamentos, que intermediou a negociação da Covaxin com o Ministério da Saúde. Ao fim dos trabalhos, foi incluído entre os indiciados por fraude em contrato, organização criminosa e improbidade administrativa. Ele negou participação nas negociações da vacina.
Já Rafael Yamada Torres é sócio-administrador da Coliseu Investimentos e Participações Ltda., empresa citada em levantamentos da Operação Heritage, da Polícia Federal, que apura suspeitas envolvendo um acordo de R$ 308,1 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a Oi.
A investigação apura possível utilização de empresas e fundos para movimentar recursos do acordo e suspeitas de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. O caso tramita no STF. Torres, porém, não é apontado como investigado pessoalmente nas informações citadas sobre a operação.

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