
O telefone toca às 3h da manhã. Do outro lado da linha, uma notícia capaz de fazer o sono desaparecer: arrume as coisas, o destino é a Etiópia e há uma história esperando para ser contada. A cena ainda não aconteceu, mas já existe com nitidez na imaginação de Victor Rodolfo Larreal. Aos 28 anos, o fotógrafo paulista que escolheu Cuiabá para viver guarda na mochila um sonho maior que qualquer enquadramento: atravessar fronteiras para registrar o mundo.
“Um sonho da minha vida é receber um telefonema às três da manhã: você se arruma, está indo para a Etiópia e vai cobrir alguma coisa que está acontecendo lá”, conta.
Victor nasceu em São Paulo e vive na capital mato-grossense desde fevereiro de 2023. Mas sua relação com a fotografia começou muito antes da mudança para o Centro-Oeste. Em 2015, ele passou a estudar a área de forma mais dedicada, depois de anos alimentando a curiosidade por imagens que pareciam capazes de transportá-lo para outros lugares.
Antes mesmo de segurar a câmera com intenção profissional, o olhar já buscava histórias. Parte dessa influência veio da música. Fã de Metallica e Megadeth, Victor pesquisava fotografias das bandas e se interessava pela maneira como um único registro podia concentrar a energia de um palco, a personalidade de um artista e a atmosfera de um momento.
Victor Larreal
Outra janela para o mundo estava dentro de casa. O pai gostava de assistir a canais e programas sobre vida animal. Victor acompanhava aquele universo e se encantava especialmente com o conteúdo da National Geographic. Aos poucos, aquilo que parecia apenas fascínio ganhou nome de profissão — e de sonho.
“Eu era muito encantado e sempre tive a ideia, é um sonho meu trabalhar na National Geographic”, relembra.
Victor Larreal
Mais de uma década depois do início dos estudos, a fotografia permanece menos como uma escolha fechada e mais como um território que Victor ainda deseja explorar. Ele se define como apaixonado pelo fotojornalismo, mas rejeita a ideia de que a beleza da fotografia pertença a apenas um segmento.
Para ele, a câmera não precisa escolher entre a urgência de uma notícia e a delicadeza de um retrato.
“A fotografia é uma forma de arte que pode ser expressada das mais diversas formas”, afirma.
Casamentos, retratos, ensaios sensuais, vida animal ou fotojornalismo cabem, para Victor, dentro da mesma possibilidade: transformar instantes em linguagem. O assunto pode mudar, assim como a luz, o cenário e as pessoas diante da lente. O que permanece é a tentativa de enxergar algo que talvez passasse despercebido sem aquele clique.
Victor Larreal
Foi também em Mato Grosso que o fotógrafo encontrou novas referências. Entre os profissionais que cita como inspiração estão Pedro Ivo, Jennifer Caterini e Jefferson Eduardo, nomes que, segundo ele, ajudam a construir a fotografia produzida em Cuiabá e no estado.
“São três retratistas, fazem ensaios maravilhosos. Sou apaixonado pelo trabalho deles e acho que contribuem muito para a fotografia cuiabana e mato-grossense”, diz.
Entre os nomes citados, Pedro Ivo de Lima Almeida Prado atua como fotógrafo desde 2010 e vive exclusivamente da atividade desde 2012, com trabalhos voltados especialmente a pessoas, retratos e histórias. Ele também integrou a seleção do 25º Salão Jovem Arte Mato-grossense com trabalhos fotográficos produzidos em Cuiabá.
Jefferson Eduardo atua formalmente no setor fotográfico na capital, em coberturas de eventos realizados em Mato Grosso, incluindo registros ligados ao agronegócio e a encontros institucionais.E Jennifer Caterini, também fotógrafa da capital.
A relação de Victor com Cuiabá, no entanto, vai além das referências profissionais. Desde que chegou à cidade, ele já fotografou diferentes pessoas e encontrou no contato com os mato-grossenses uma extensão daquilo que acredita sobre a própria fotografia: antes de qualquer técnica, há alguém diante da câmera e uma história que merece atenção.
“É um prazer estar aqui, trabalhar com fotografia aqui. Já trabalhei com muitas pessoas e é sempre um prazer trabalhar com a população mato-grossense”, ressalta.
Victor Larreal
Talvez seja justamente aí que o sonho de uma ligação às três da madrugada deixe de parecer tão distante. A Etiópia representa o desejo de ir longe, mas a essência desse caminho já acontece todos os dias: observar, chegar perto e perceber histórias.
Afinal, antes de levar Victor ao outro lado do mundo, a fotografia já fez algo fundamental. Ensinou-o a olhar.
Siga Victor Larreal nas rede sociais @victorrvreal e @nautiluxvr

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