
A juíza Maria das Graças Gomes da Costa foi aposentada compulsoriamente pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Ela é acusada de usar a sua posição à frente da Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis para beneficiar o marido, para que ele ficasse com a guarda da filha que teve com outra mulher, morta em janeiro de 2023. O homem é acusado pelo crime.
O marido da juíza, Antenor Alberto de Matos Salomão, é acusado pelo feminicídio da bancária Leidiane Souza Lima, quando ela saía para o trabalho. Os dois tinham uma filha.
A magistrada foi afastada do cargo em 24 de dezembro de 2025 após uma reclamação apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Maria das Graças chegou a fugir com a criança para que a menina não ficasse com a avó.
A acusação foi de que ela influenciou as decisões relativas à guarda da sua enteada, cuja mãe foi morta pelo próprio pai. Ela usou, conforme a denúncia, da sua proximidade com a conselheira tutelar para conseguir informações privilegiadas para o marido no curso do processo.
A juíza chegou a ter a guarda da criança e tentou fugir com ela para que a criança não fosse entregue à tutela da avó materna. Além disso, enquanto o marido esteve em prisão domiciliar, a magistrada teria deixado sua arma de fogo com ele e permitido que usasse o seu carro para violar a medida protetiva.
O feminicídio
O crime ocorreu em 27 de janeiro de 2023, por volta das 07h30. Leidiane foi atingida por disparos de arma de fogo quando saía de sua residência com direção ao trabalho. O atirador estava em uma motocicleta sem placa. Ela tinha três filhos: duas meninas, na época com 15 e 5 anos, e um menino, na época com 11 anos.
Quatro meses antes do crime, a bancária chegou a registrar um boletim de ocorrência contra Antenor por agressão. Disse que, após dois anos, ele apareceu exigindo convivência com a filha.
A vítima relatou na ocasião que chegou a concordar com as visitas, mas que uma vez se recusou a entregar a criança, quando foi empurrada, xingada e ameaçada. Após isso, ela pediu uma medida protetiva de urgência.
Antenor foi preso pelo feminicídio em 6 de fevereiro de 2023, mas acabou solto em 23 de março por decisão do desembargador do TJMT, Pedro Sakamoto. Em liberdade, ele passou a cumprir medidas cautelares diversas da prisão, dentre elas monitoramento eletrônico.

Faça um comentário