
A vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa (MDB), voltou a manifestar insatisfação com a falta de autonomia e de espaço decisório na gestão de Abílio Brunini (PL). Além disso, Vânia abordou a possibilidade de o prefeito se licenciar do cargo nas próximas semanas e ponderou que, mesmo assumindo nesse período, terá um impacto limitado no comando do Palácio Alencastro. “Não dá para fazer milagre em 20 dias”, alegou em entrevista na última semana.
Questionada sobre a perspectiva de assumir a chefia do Executivo municipal durante uma eventual licença de 15 a 30 dias de Abílio, a vice-prefeita enfatizou que a decisão do afastamento cabe exclusivamente ao gestor. O liberal avalia se afastar para acompanhar a campanha da esposa, a vereadora Samantha Iris (PL), na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa.
“Eu não fiquei nesse espaço pensando em assumir cadeira de prefeito. Afinal de contas, a gente não muda nada em 20, 30 dias. A gestão está aí há mais de ano e meio, e a gente vê como está. Então, mudar nesse momento é impossível. 20 dias não fazem milagre, como eu sempre disse. Então, se for o caso dele se afastar e eu assumir, vou continuar fazendo, segurando ali o que é gestão do Abílio”, assegurou em coletiva nesta quarta-feira (19).
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Ela destacou o limite institucional da posição temporária, afirmando que “não tem espaço para a Vânia trazer uma marca efetiva”, embora admita que as relações políticas possam ser aprimoradas caso sente na cadeira principal de forma provisória. Já ao avaliar o cenário geral da administração municipal, Vânia apontou falta de consolidação nas diretrizes do Executivo e criticou a rotatividade de secretários.
“Eu vejo que ainda está muito instável. Essa é a verdade. Uma vez que há muita mudança, muitas mudanças de secretários, inclusive. Isso não é nada positivo. Então, se não tem esse alicerce muito certo, a gente está quase na metade da gestão e eu vejo que a gente tem que mostrar ainda muito mais, de forma mais gradativa, contínua. Então, essa instabilidade também é um reflexo da gestão”, afirmou.
Expectativa de governo é diferente da realidade
A vice-prefeita revelou que o plano de governo apresentado à população na campanha eleitoral sofreu desvios drásticos. Segundo ela, as propostas originais foram modificadas ao longo do mandato.
“Eu vejo que foram praticamente todas modificadas. Eu estava na construção desse plano de governo e todas as metas ali foram modificadas. […] Tenho ele até hoje, está no porta-malas do meu carro para não me deixar esquecer o que foi prometido. E tem algumas que estavam nos sonhos. E, como eu falo, os sonhos, eles não fazem gestão. A gente tem que ser mais pé no chão, ver o que se arrecada, como pode gastar, o que é prioridade e o que não é”, alertou, pedindo para que o povo cuiabano continue fiscalizando.
Diante da recusa de assumir novamente uma secretaria municipal, Vânia reforçou que a indefinição de papéis para o cargo de vice-prefeito decorre de uma escolha política da própria gestão. Para ela, falta “bom senso da gestão” para dar utilidade ao cargo e à remuneração paga pelos contribuintes.
Ela ressaltou também que forma lizou propostas com sugestões de atribuições autônomas e institucionais que poderiam ser exercidas pela vice-prefeitura. As sugestões foram registradas oficialmente no sistema do governo, mas continuam sem andamento.
“Naquela época em que saí da secretaria, eu já entreguei alguns documentos falando quais atribuições seriam possíveis. Sugeri algumas atribuições ali. Então, ele tem autonomia para falar: ‘Não, Vânia, faz isso, faz aquilo, vamos até aqui’. [Mas isso] não necessariamente [significa] estar dentro da gestão. Seria interessante, afinal de contas, todos os vereadores estão, todos os secretários estão, por que a vice-prefeita não? Mas poderiam ser atribuições autônomas, independentes da gestão que está acontecendo”, concluiu.

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