
O vereador de Cuiabá e pré-candidato a deputado federal Rafael Ranalli (PL) criticou duramente a proposta formulada por seu correligionário e candidato ao Senado, o deputado federal José Medeiros (PL), que prevê a proibição de operações e investigações policiais contra candidatos nos 6 meses anteriores às eleições.
Para o parlamentar, a iniciativa atende a interesses do grupo do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), adversário político do PL no estado. Policial federal de carreira, Ranalli classificou o projeto como “bem ridículo” e afirmou que a medida criaria uma blindagem inaceitável para criminosos.
“Essa aí eu queria estar no Congresso para fazer campanha contra, eu sou polícia. Não tem cabimento, gente, a gente pedir que não tenha operação policial? Isso aqui é brincadeira”, declarou o vereador. “Então vamos lá, todo vagabundo e bandido no Brasil é pré-candidato daqui pra frente, porque ele fica 6 meses isento de ir pra cadeia. Ah, tá de brincadeira!”, completou.
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Segundo ele, a proposta já surge sem viabilidade e funciona apenas como um gesto político a opositores atingidos por investigações recentes. “É simplesmente uma defesa do time do outro lado, é descarado, assim. Perdão aqui pela minha sinceridade, mas assim, não dá para a gente, principalmente eu, enquanto policial federal, ser contra operação policial”, justifica.
Ranalli relacionou a proposta diretamente às recentes ações ostensivas da Polícia Federal direcionadas a aliados e membros da gestão de Mauro Mendes. “Vocês bem sabem o porquê dessa defesa de operação, não, até pela última operação que teve no estado de Mato Grosso […] contra o senhor Mauro Mendes, Fábio Garcia e o grupo do Pivetta. Então, assim, é desagradável você, como policial, apresentar um projeto contra operações policiais”, pontuou.
Além do embate sobre a atuação policial, Ranalli externou insatisfação com a crise política entre os dois nomes do PL que disputam vaga no Senado, a deputada estadual Janaina Riva e o próprio José Medeiros. A rivalidade, marcada por trocas de farpas e pela recusa de Medeiros em dividir o palanque ou cumprimentar a parceira de chapa, é vista por ele como um obstáculo ao desempenho do partido nas urnas.
“Sim, acredito que prejudica. Não concordando com essa dissonância interna”, avaliou o vereador ao analisar o distanciamento entre os candidatos. “Fica chato pra quem tá assistindo a pessoa não apoiar quem tá na chapa. Pelo menos acho que com cordialidade.”
Apesar das ressalvas, Ranalli defendeu a disciplina partidária e comparou a conjuntura a uma dinâmica de equipe futebolística. “Imagina que você é jogador de futebol e o time contrata um outro jogador que você não goste. E aí, você vai fazer gol contra? “Você vai prejudicar a camisa que um dia te tornou campeão?”, questionou.
O vereador reforçou que manterá o apoio a ambas as candidaturas ao Senado para fortalecer o PL na disputa majoritária. “Vou pedir voto pro Medeiros, tô apoiando a Janaina Riva também porque eu sou soldado. Eu, pra mim, são os dois senadores que mais têm chance. A Janaina por representar a mulher e o Medeiros por representar o bolsonarismo”, concluiu.

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