
A repercussão do desligamento do secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho Júnior, tornou o cenário emotivo com a manifestação pública de sua filha, Camilla Carvalho Arruda, nas redes sociais. Em apoio ao pai, que anunciou a renúncia para se defender das investigações no âmbito da Operação Heritage, ela pediu o retorno do ex-gestor ao convívio familiar e empresarial.
“Volta para casa, pai. Volta para sua família, para suas empresas. Estamos felizes em ter você mais perto… Chega de abrir mão da sua vida, sempre pensando nos outros. Você não merece toda essa injustiça”, escreveu em comentário na publicação em que Mauro anunciou a saída.
Reprodução do Instagram.
Comentário de filha de Mauro Carvalho.
Demonstrando união diante do impacto do caso, Camilla reafirmou a integridade do ex-secretário e expressou confiança no desfecho do processo.
“Estamos com você, unidos como sempre. A justiça de Deus não falha. No tempo de Deus, tudo será esclarecido. Poucos nesse mundo são como você, honesto e leal a seus valores. Eu sou sua fã. Te amo”, declarou.
Entenda a renúncia
Em carta aberta direcionada à população mato-grossense, Mauro Carvalho informou que deixou o governo em decisão tomada em conjunto com sua família e com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). No documento, o ex-secretário destacou que o desligamento ocorreu de forma voluntária para esclarecer os fatos e provar sua inocência.
Carvalho ressaltou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) indeferiu o pedido de afastamento cautelar feito pela autoridade policial, acolhendo parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que não havia indícios de uso do cargo para finalidade ilícita.
“Não saio, portanto, por determinação judicial. Saio por decisão tomada por mim em conjunto com a minha família e com o Governador do Estado. Isto é uma investigação — e investigação não é condenação. Não fui denunciado, não estou sendo processado criminalmente e não fui condenado”, escreveu.
Ao rebater as suspeitas envolvendo o acordo com a Oi, o ex-secretário explicou que não ocupava cargos públicos entre dezembro de 2023 e abril de 2024, período em que o processo tramitou. Garantiu também que nenhum recurso oriundo da negociação ingressou em seu patrimônio ou no de suas empresas.
“Na decisão, não me é atribuído nenhum ato concreto: meu nome figura por vínculo — e vínculo não é conduta”, argumentou.
Na parte final da carta, Carvalho prestou solidariedade ao procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, e ao deputado federal Fábio Garcia, afirmando que ambos tiveram a honra exposta antes do contraditório. Ao encerrar o comunicado, dirigiu-se aos familiares e recorreu a uma passagem bíblica ao pedir isenção nas apurações.
“À minha família, que carregou o peso maior sem ter escolhido nada disso, todo o meu amor. Peço a Deus que a verdade prevaleça, e que ninguém seja condenado sem culpa, como aconteceu com Jesus diante de Pilatos. Que Deus abençoe todos nós”, finalizou.

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