
Diálogos extraídos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em um segundo chip do telefone celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em dezembro de 2023 , no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, falam sobre pagamentos a funcionários do Superior Tribunal de Justiça (STJ), compartilhamentos de minutas de decisões ainda não proferidas e até citação de nomes de ministros da Corte. As informações foram divulgadas pelo jornalista Aguirre Talento, do UOL, nesta quinta-feira (24) – confira a reportagem completa aqui .
As conversas de Zampieri são com o lobista de Cuiabá Andreson de Oliveira Gonçalves , que também foi alvo da Polícia Federal nesta quinta por suposto envolvimento em um esquema de venda de sentenças judiciais no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul. As mensagens embasam uma investigação da PF sobre um suposto esquema de sentença no STJ. Montagem/Reprodução
Chip do celular do advogado Roberto Zampieri (no detalhe), morto em 2023, embasam investigação da Polícia Federal
Em uma conversa de julho de 2020, Andreson e Zampieri decidem pedir a prevenção da ministra Isabel Gallotti para um processo de interesse do esquema criminoso. Na avaliação dos investigadores, isso comprovaria o interesse deles no gabinete da ministra.
No diálogo, Andreson diz a Zampieri: “Esse problema seu é meu. Fica tranquilo”. O processo citado envolvia um caso de uma agropecuária de Mato Grosso. A ministra acolheu a prevenção, mas não deu decisão favorável ao grupo, conforme o jornalista.
Já em junho de 2021, Zampieri discute com Andreson um processo de relatoria da ministra Nancy Andrighi. Zampieri pede a ele para “conversar com a menina lá”, sem explicar quem seria, e diz que “precisa muito dessa decisão”. Tratava-se de uma disputa de posse de um terreno por outra agropecuária de Mato Grosso.
Procurada pelo UOL, a ministra Nancy Andrighi disse que as decisões proferidas não favoreceram as partes representadas por Zampieri.
Andreson também citou nos diálogos diversas decisões do ministro Moura Ribeiro, sob a alegação de que haviam sido proferidas porque ele havia “conseguido” ou “resolvido” no gabinete.
O CNJ ainda identificou mensagens que indicam suspeitas de pagamento de propina a um funcionário do gabinete de Moura Ribeiro. Em uma mensagem, Andreson diz: “Zamp, o amigo está chateado. Falou que até agora nada. Me ligou aqui”. Zampieri respondeu que estava com “os documentos” para entregar à pessoa, “sem falta”. “Me desculpe pelo importuno, meu amigo”, concluiu Zampieri.
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