
O golden retriever Jake, 6 anos, se tornou um dos personagens mais marcantes da terceira edição da Formação de Adolescentes Cristãos (FAC), retiro promovido pela Arquidiocese de Cuiabá. O cão acompanhou os cinco dias de acampamento ao lado de 145 adolescentes e da equipe de voluntários, conquistando os participantes com seu comportamento dócil e protagonizando momentos de emoção durante as celebrações religiosas.
Em entrevista ao , o padre Renan da Silva Cunha relatou que ele e o cão tiveram uma conexão e amor à primeira vista quando se conheceram no início deste ano, durante um jantar na casa dos tutores do animal, Cristina Falcão e João Paulo Santos, voluntários no FAC.
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Antes da visita, Cristina brincou com o cachorro, dizendo que ele receberia um “padre especial”. Quando o sacerdote chegou, Jake precisou até ser contido de tanta empolgação.
“Foi uma conexão desde aquele primeiro dia. Quando convidei a Cris e o João Paulo para servirem no acampamento, senti no coração o desejo de levar o Jake conosco. Muitos ficaram receosos, imaginando que ele pudesse dar trabalho, mas aconteceu justamente o contrário. Ele evangelizou com sua presença, trouxe alegria aos jovens e deu um exemplo impressionante de obediência”, relatou o padre.
Renan comparou Jake ao lendário Grígio, cão que acompanhava São João Bosco e que, segundo relatos, protegia o santo em momentos de perigo. O sacerdote também citou o catecismo da Igreja Católica, que reconhece os animais como criaturas de Deus e instrumentos de bem quando respeitada a ordem da criação.
A tutora de Jake, Cristina Falcão, conta que, apesar de o golden sempre ter sido alegre e companheiro, durante o retiro seu comportamento surpreendeu até a família.
“Nos cinco dias de acampamento, ele foi extremamente ungido. Não deu trabalho em nenhum momento. Durante as missas, ficava quietinho, parecia entender que aquele era um momento muito importante. Quando precisava levar carinho às pessoas, fazia isso naturalmente, como um verdadeiro cão terapeuta”, afirmou.
O momento mais marcante, segundo ela, aconteceu durante a missa de envio. “Quando o Santíssimo Sacramento passou, eu me ajoelhei e comecei a chorar. O Jake colocou a patinha em mim, como se estivesse me consolando. Depois, quando o padre se aproximou com o Santíssimo, ele sentou de frente para Jesus e ficou olhando fixamente. Quando a celebração terminou e eu ainda chorava, ele colocou novamente a pata na minha mão. Foi uma das cenas mais bonitas que já vivi”, finalizou.
A presença de Jake também ficou marcada na memória dos adolescentes. João Vitor, de 16 anos, afirmou que o cachorro ajudou a tornar o retiro ainda mais especial. “Esse acampamento abriu meus olhos para muita coisa. Entendi que preciso amar mais, me entregar mais a Deus e à minha família. Ter o Jake com a gente fez toda a diferença”.
Para Ana Flávia Tagliari, de 21 anos, o golden foi um exemplo de alegria. “Ele participou até das homilias do padre e nos lembrava que a verdadeira alegria nasce de Cristo. Alegrou todos os campistas”.
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Já a estudante Natália Galvão, de 16 anos, disse que voltou do retiro com a fé renovada. “Aprendi que Deus está nas coisas simples. O Jake fazia todo mundo sorrir só por estar perto. Parecia realmente enviado por Deus”.
Ao fim do retiro, Jake ganhou um apelido carinhoso entre os participantes: “cãopista”. Mais do que um mascote, o golden retriever se tornou símbolo de acolhimento, alegria e da forma como pequenos gestos podem marcar profundamente uma experiência de fé.

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