
Apontado pela Polícia Civil como tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso, Paulo Winter Paelo Farias, conhecido como “W.T.”, foi preso novamente durante a Operação Replay, deflagrada nesta quinta-feira (30) pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Embora já estivesse custodiado no sistema prisional e fosse alvo de operações anteriores, ele teve um novo mandado de prisão preventiva cumprido por, segundo a investigação, continuar exercendo o comando financeiro e disciplinar da facção de dentro da cadeia. Também foi presa a advogada Dayane Karol Moreira.
A Operação Replay cumpriu 10 mandados de prisão preventiva contra 14 integrantes e colaboradores da organização criminosa investigados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. As ordens judiciais foram executadas em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).
De acordo com a Polícia Civil, a nova fase da investigação é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A análise de dados telemáticos revelou que, mesmo após as ações anteriores, a estrutura criminosa permaneceu ativa, com divisão de funções, operadores financeiros, uso de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.
Comando de dentro da prisão
Segundo a Draco, as mensagens interceptadas mostram que W.T. continuava determinando cobranças, autorizando recolhimento de valores, orientando integrantes que estavam em liberdade e conferindo planilhas financeiras da facção.
As comunicações também registraram ordens para a distribuição de recursos entre diferentes núcleos da organização criminosa e referências à movimentação de grandes quantidades de entorpecentes, evidenciando, conforme a investigação, que ele seguia exercendo papel de liderança mesmo recolhido em uma unidade prisional de segurança máxima.
Outro fato destacado pela Polícia Civil foi que o mesmo chip telefônico atribuído a W.T. foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para os investigadores, a constante troca dos dispositivos era uma estratégia para dificultar a identificação das comunicações clandestinas e burlar os mecanismos de fiscalização do sistema penitenciário.
Patrimônio milionário
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros e o sequestro de imóveis e veículos avaliados em aproximadamente R$ 17,28 milhões.
Entre os bens atingidos estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos. Segundo a Draco, as medidas buscam impedir a ocultação ou a transferência de patrimônio adquirido com recursos ilícitos e enfraquecer a base financeira da organização criminosa.
As investigações também apontam que os demais 13 alvos da Operação Replay mantinham ativa a estrutura da facção, atuando na movimentação financeira, ocultação de patrimônio e apoio às atividades criminosas, mesmo após as operações anteriores.
Batizada de Replay, a operação faz referência à repetição das práticas criminosas e à capacidade de reorganização da facção após ações anteriores da Polícia Civil.

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