Tradição e afeto; culinária como elo entre o Haiti e vida nova em Cuiabá

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Antes mesmo de uma receita chegar à mesa, ela já carrega história, o cheiro dos temperos, o modo de preparar cada ingrediente e os sabores que atravessam gerações e revelam lembranças de lugares que muitos imigrantes deixaram para trás, mas continuam levando consigo aonde vão. A gastronomia é uma maneira de resgatar as memórias afetivas do local de origem.

 

Em Cuiabá, haitianos encontram na culinária uma maneira de manter viva a ligação com seu país de origem e, ao mesmo tempo, apresentar novos sabores. Passando por outras culturas que hoje fazem parte da diversidade da capital mato-grossense, a comida se tornou uma ponte entre passado e presente. Nas mãos desses cozinheiros, ingredientes simples ganham significado e mostram que uma cidade também pode ser conhecida pelos sabores de quem chegou de longe.

 

Há oito anos vivendo em Cuiabá, Guinia Saint Juste deixou o Haiti em busca de melhores oportunidades; a paixão pela gastronomia também a motivou a buscar qualificação profissional. Na capital, ela fez o curso de cozinheira no Senai. Antes de atuar na cozinha, trabalhou em lojas de departamento, mas encontrou na culinária a profissão que mais lhe proporciona satisfação.

 

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Os sabores e temperos permaneceram presentes ao longo dos anos e hoje fazem parte da sua identidade. Com foco em preservar as tradições do Haiti, Guinia também demonstra carinho pela cultura local. Ela afirma que gosta tanto de preparar comidas haitianas quanto de pratos típicos cuiabanos, unindo diferentes influências na cozinha.

 

Já para Megline Medana, que mora em Cuiabá há alguns meses, a culinária é muito mais do que alimentar o corpo, é um elo com a infância, a família e a cultura de seu país de origem. Ela veio ao Brasil em busca de melhores oportunidades de trabalho e de qualidade de vida, mas mantém o Haiti presente em cada receita que prepara.

 

Entre os ingredientes indispensáveis da culinária haitiana, Megline destaca alho, cebola, tomilho, salsa, pimenta, cravo-da-índia, limão e o epis, temperos típicos. O prato que mais desperta suas lembranças é o diri ak dyondyon, tradicional arroz com feijão e cogumelos acompanhado de carne, frequentemente servido nos encontros familiares no Haiti. “Sempre que preparo um prato haitiano, lembro do meu país, da minha família e da nossa cultura”, afirma Megline.

 

Em um domingo à tarde, em uma casa simples de Cuiabá, o aroma de temperos haitianos toma conta da cozinha. Guerline Jean, que vive na capital há cinco anos, recebe amigos e familiares para um encontro que vai muito além da refeição. Sobre a mesa, pratos típicos são preparados e compartilhados enquanto conversas em crioulo haitiano e português se misturam entre risadas e lembranças da terra natal.

 

Natural do Haiti, chegou ao Brasil em busca de melhores condições de trabalho e, desde então, se adaptou à rotina cuiabana sem deixar para trás os costumes que aprendeu com a família. Atualmente, Guerline trabalha no setor de serviços gerais e divide o tempo entre o trabalho e os encontros com amigos e familiares haitianos que também vivem na cidade.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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