
O Centro de Ressocialização de Várzea Grande (CRVG), no bairro Jardim Industriário, em Cuiabá, está localizado em frente à Penitenciária Central do Estado (PCE). A unidade é alvo de uma série de denúncias que apontam falhas graves na segurança, baixo efetivo de servidores e episódios recentes de violência.
Entre os relatos recebidos com exclusividade pela reportagem do estão a ocorrência de duas mortes de reeducandos neste ano, a mais recente no último sábado (30), a descoberta de um suposto túnel e o arremesso frequente de drogas e celulares para o interior da unidade.
De acordo com as informações apuradas, a morte registrada no último fim de semana teria ocorrido dentro de uma das celas do regime fechado e estaria ligada a disputas entre facções criminosas rivais. Outro assassinato com características semelhantes teria acontecido em março deste ano na mesma ala. As denúncias apontam que as ordens partiriam de lideranças de dentro e de fora do sistema prisional, facilitadas pela entrada ilegal de aparelhos celulares.
Além das mortes, a rotina de segurança do CRVG é colocada em xeque por episódios recentes. Há cerca de 15 dias, agentes teriam descoberto uma tentativa de escavação de túnel sob o vaso sanitário de uma das celas. O caso, no entanto, não teria sido divulgado por parte da direção da unidade.
A entrada de materiais ilícitos também é apontada como recorrente. No fim da tarde de segunda-feira (1º), durante o procedimento de revista dos materiais enviados por familiares (jumbos), os servidores do Centro de Ressocialização teriam interceptado 17 tubos de creme dental recheados com entorpecentes. Relatos indicam ainda que sacolas com drogas e celulares são rotineiramente arremessadas por cima dos muros nos dias de visita, sem que o sistema de monitoramento por câmeras consiga coibir a ação.
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A crise de segurança e as mortes sob custódia do Estado na Grande Cuiabá não se restringem ao sistema penitenciário de adultos. Recentemente, o sistema socioeducativo da capital também registrou um episódio grave de violência.
No dia 16 de maio de 2026, um adolescente de 17 anos foi encontrado morto nas dependências do Complexo Pomeri, o Centro Socioeducativo de Cuiabá.
O caso mobilizou autoridades policiais e periciais para apurar as circunstâncias e a causa exata do óbito dentro da unidade. O histórico do Pomeri na capital mato-grossense já registra outros episódios de violência, incluindo brigas internas e motins, evidenciando desafios estruturais na vigilância e na integridade física dos internos tutelados pelo Estado.
A falta de pessoal também agrava a situação na unidade. Segundo relatos, o efetivo atual trabalha sobrecarregado e a atuação de forças especializadas, como o Serviço de Operações Especiais (SOE) e o Grupo de Intervenção Rápida (GIR), tem sido rara para a realização de procedimentos de rotina e vistorias minuciosas nas celas. Mesmo após os episódios de violência, o atendimento e a entrega de alimentos seguiram o fluxo normal nesta segunda-feira.
Outro lado
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) informou que não confirma as denúncias de homicídios relacionados a conflitos internos no Centro de Ressocialização de Cuiabá.
Segundo a pasta, foi registrado o óbito de um reeducando no dia 30 de maio, porém a causa preliminar apontada é suspeita de mal súbito, sem sinais de violência. A secretaria também negou a ocorrência de outro óbito na unidade em março deste ano.
Sobre os relatos de mortes motivadas por disputas entre facções criminosas, a Sejus afirmou que não há registros de ocorrências dessa natureza e, por esse motivo, não existem transferências de presos relacionadas a conflitos internos na unidade.
Em relação à segurança, a secretaria confirmou que uma tentativa de escavação de túnel foi identificada em abril durante uma revista realizada pelo Grupo de Intervenção Rápida (GIR) da Polícia Penal. No entanto, o órgão não confirmou a versão de que a descoberta tenha ocorrido há cerca de 15 dias.
A Sejus também negou a apreensão de tubos de creme dental contendo entorpecentes durante a revista de materiais enviados por familiares, realizada no início desta semana. Mas afirmou que teve, sim, apreensão de entorpecentes durante a revista, na segunda-feira (1).
Quanto às denúncias sobre arremessos frequentes de drogas e aparelhos celulares para dentro da unidade, a pasta afirmou que não há registros desse tipo de ocorrência e ressaltou que o sistema de monitoramento por câmeras está funcionando integralmente.

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