
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), deu apoio à medida de Donald Trump, que classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A decisão foi anunciada na quinta-feira (28). O prefeito questionou a oposição, que classificou a atitude como afronta à soberania brasileira e demonstrou preocupação com os reflexos econômicos que podem surgir com a decisão norte-americana.
“Como combater o crime organizado pode prejudicar economicamente o país? Qual é a economia que vai ser prejudicada? Se você está combatendo facção criminosa, como isso vai prejudicar a economia do país?”, questionou o prefeito em coletiva de imprensa na sexta-feira (29).
Ainda, o gestor argumentou que as organizações criminosas exercem controle territorial, impõem regras à população e promovem intimidação em comunidades, características que, em sua avaliação, justificam a classificação como grupos terroristas.
“Eles cobram taxas para que um mercadinho possa funcionar, para que uma costureira possa trabalhar. Dominam territórios, dão salves, têm tribunal paralelo. Tem todas as características de uma organização terrorista. O que é terrorista? É aquele que pratica terror”, declarou.
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Abílio também defendeu o endurecimento do combate às facções, mesmo diante da constante reorganização dos grupos criminosos.
“Você vai desistir de combater a criminalidade porque ela se reorganiza? Vai parar de prender um traficante porque vai surgir outro? Não. Tem que continuar combatendo e buscar a origem do problema”, afirmou.
Oposição
Questionado sobre a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao tema, Abílio associou a resistência à medida a pessoas próximas ao campo político do governo federal e citou a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, investigada em operações policiais relacionadas a jogos ilegais.
“Eu espero que a gente possa entender e dar nome às coisas. Que os Estados Unidos tomem as medidas que competem ao seu território e que outras nações também façam o mesmo reconhecimento”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de cooperação internacional entre autoridades brasileiras e americanas no combate às facções, Abílio disse não saber quais medidas os Estados Unidos poderiam adotar fora de seu território, mas criticou eventuais manifestações contrárias à classificação dos grupos criminosos.
“Estranho é alguém achar ruim combater a facção criminosa. Estranho é o Ministério da Justiça ou algum representante das Forças Armadas achar ruim combater o crime organizado”, concluiu.
Lei
No Brasil, a Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016) conceitua o terrorismo como a prática de atos por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito, cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio ou a paz pública.
Nos Estados Unidos, a designação de terrorista é aplicada pelo Departamento de Estado ou pelo Tesouro. Grupos que ameaçam a segurança dos EUA ou de seus cidadãos entram na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

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