
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), afirmou que utiliza os produtos da marca Ypê em casa e acredita em perseguição por parte da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele ainda afirma que confia na qualidade da empresa, pois é ele quem “cuida da cozinha em casa”. Na última semana, foi indicada contaminação em lote de produtos e recomendado o não consumo.
“Sou eu que lavo a louça, cadê a Samantha para confirmar? Eu gosto de fazer o almoço e, geralmente, a cozinha sou eu que cuido também. A gente lava as mamadeiras, e nós nunca nos preocupamos muito sobre qual é a marca do produto e coisa e tal”, disse o prefeito em entrevista na noite de segunda-feira (11).
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Ainda, segundo ele, sua família sempre buscou os produtos com melhor custo-benefício, mas que, de agora em diante, só consumirá a marca para que eles possam “superar as adversidades”.
“Parece que virou política comprar produto agora. Chinelo, compra do pé direito, detergente, compra o Ypê. A população começando a ter sensibilidade política sobre o consumo. Então, quando alguém da esquerda diz que o lado do Ypê é o lado da direita, vai vender muito mais. O poder de consumo está voltado à direita”, afirmou o chefe do executivo municipal.
Caso Ypê
No fim de abril, fiscais da Anvisa foram chamados para uma inspeção na fábrica da Química Amparo (dona da Ypê) pela própria marca, por conta da suspeita de contaminação dos produtos.
O relatório apontou falhas graves de controle de qualidade, equipamentos com corrosão e possibilidade de reprocessamento inadequado de produtos. A Anvisa então identificou um histórico de irregularidades, incluindo contaminações em 2024 e 2025. Ficando determinada a suspensão da fabricação e recolhimento dos lotes de diversos produtos com numeração final 1.
Após o anúncio da marca, o assunto viralizou nas redes sociais e ganhou contornos políticos, com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, como Michelle Bolsonaro e Ricardo Mello Araújo, saindo em defesa da marca nas redes sociais, sugerindo perseguição política.
A Ypê obteve efeito suspensivo temporário na Justiça, permitindo a venda dos produtos, mas a Anvisa manteve a recomendação para que os consumidores não utilizem os lotes com final 1.
Nota publicada pela Anvisa na tarde desta terça-feira (12) informa sobre reunião com a marca e avaliação de recurso nesta quarta-feira (13).
Confira nota
Nesta terça-feira (12/5), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu representantes da empresa Química Amparo LTDA, que apresentou as ações em andamento para a correção das linhas de fabricação de lava-louças (detergentes), sabões líquidos para roupas e desinfetantes líquidos da marca Ypê.
A reunião aconteceu na sede da Anvisa, em Brasília (DF), e teve a participação do seu diretor-presidente, Leandro Safatle, do diretor Daniel Pereira, responsável pela supervisão da fiscalização, do presidente da Ypê, Waldir Beira Júnior, e seu COO, Jorge Eduardo Beira. Representantes das áreas técnicas da Agência e dos setores jurídico e de controle de qualidade da fábrica também acompanharam o encontro.
De acordo com a empresa, desde a publicação da Resolução Anvisa 1.834/2026, na última quinta-feira (7/5), as equipes da fábrica de Amparo (SP) intensificaram o trabalho para atender a 239 ações corretivas elencadas pela Ypê, com o objetivo de cumprir as exigências da vigilância sanitária. As medidas consideram também inspeções realizadas em 2024 e 2025.
Na quarta-feira (13/5), a Diretoria Colegiada da Anvisa avaliará o recurso suspensivo apresentado pela empresa na última sexta (8/5).

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