
O discurso de Lima Duarte na premiação da APCA, em São Paulo, não pegou mal à toa…
Aos 96 anos, o veterano subiu ao palco para receber uma homenagem à sua trajetória, mas acabou virando assunto por um motivo bem diferente.
Durante a fala, ao relembrar episódios da juventude, o ator contou que, quando tinha cerca de 15 anos, foi convidado por um colega para conhecer uma área de prostituição no bairro do Bom Retiro.
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No entanto, ao explicar a situação, Lima reproduziu uma frase que causou imediato desconforto entre os presentes.
“Eu falei: ‘Eu vou na [rua] Itaboca’. Ele falou: ‘Só tem preta’. Eu não fui. Moleque de rua, dormindo embaixo do caminhão.
Não fui porque só tinha preta. Que coisas eu fui percebendo ao longo dessa vida. Então, fomos na [rua] Aimorés”, disse.
E sim, ele falou isso mesmo — e, nesse caso, não tem muito como defender. A fala repercutiu imediatamente e foi interpretada por parte do público como racista.
Mas vamos combinar: existe uma ideia de que pessoas mais velhas “perdem o filtro” e podem falar qualquer coisa. Não é bem assim. Idade não é passe livre para discurso preconceituoso.
O que mais chamou atenção, porém, foi a forma como tudo foi dito. Não houve sinal de constrangimento ou reflexão no momento da fala. Se tivesse vindo junto de um reconhecimento de que aquilo era um pensamento errado, a história poderia ter sido bem diferente.
Depois da repercussão, Lima ainda tentou se explicar nas redes sociais. Disse que queria retratar “um Brasil muito duro” e falar sobre aprendizados ao longo da vida. Só que, na prática, isso não aliviou em nada o impacto.
No fim das contas, o discurso de homenagem ficou em segundo plano — e com razão — diante de um discurso que não cabe em nenhum contexto.

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