
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6), a segunda fase da Operação Hidra, com foco no cumprimento de ordens judiciais contra um servidor da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), investigado por envolvimento em um esquema de falsificação de identidades para membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ação contou com apoio da própria Politec, cuja Corregedoria acompanhou os trabalhos durante o cumprimento dos mandados. As ordens judiciais, expedidas pela 5ª Vara Criminal de Várzea Grande, incluem buscas e apreensões realizadas tanto na residência do investigado quanto em seu local de trabalho, no Instituto Médico Legal (IML), em Cuiabá.
O servidor alvo da operação atua como papiloscopista, função responsável pela emissão de documentos oficiais e pela identificação de vítimas e suspeitos em ocorrências criminais e acidentes.
Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares diversas da prisão, como a proibição de contato entre os investigados e a restrição de saída da comarca sem autorização judicial. Durante a ação na casa do servidor, foram apreendidos materiais como canetas emagrecedoras de origem irregular e anabolizantes.
Investigações
As apurações tiveram início em julho de 2025, após a prisão de Ricardo Batista Ambrózio, 44 anos, conhecido pelos apelidos “Perfume” ou “Kaiak”. Ele é apontado como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo e estava foragido há pelo menos 12 anos em Mato Grosso.
Na ocasião, foi constatado que o suspeito utilizava documentos falsos, assim como sua companheira, de 32 anos, e os dois filhos do casal, de 12 e 15 anos. Com ele, também foi apreendida uma pistola com numeração suprimida.
Primeira fase
O avanço das investigações levou à deflagração da primeira fase da operação, em agosto de 2025, quando um homem de 66 anos foi identificado como possível intermediário do esquema.
A partir da análise de dados coletados, a polícia identificou ligações diretas entre esse intermediário, que possuía diversos documentos falsos com identidades distintas, e o papiloscopista investigado, suspeito de facilitar a emissão de registros fraudulentos.
A delegada Eliane da Silva Moraes, titular da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, destacou a importância da operação no combate à atuação de organizações criminosas dentro de órgãos públicos.
Segundo ela, a integração entre os setores da Polícia Civil e a Politec foi essencial para desarticular o esquema, que estaria ligado a outros crimes.
Origem do nome
O nome “Operação Hidra” faz referência à Hidra de Lerna, criatura da mitologia grega conhecida por possuir várias cabeças. A alusão simboliza a multiplicidade de identidades utilizadas pelos investigados para dificultar a ação da Justiça.

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