
Equipe técnica do Ministério da Saúde realizou uma visita ao prédio do Adauto Botelho, em Cuiabá, para vistoriar possíveis irregularidades, entre elas o descarte e abandono de mais de 20 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que estariam paradas no pátio da unidade. A agenda, na manhã desta sexta-feira (24), acontece em meio à crise e denúncias de sucateamento e demissões no Samu. Um relatório será elaborado pelo Governo Federal com os apontamentos encontrados.
Reportagem do esteve no local durante a manhã e acompanhou parte da visita. Uma das técnicas contou que a visita faz parte da fiscalização, que ainda vai passar por mais duas unidades. Na quinta-feira (23), as equipes estiveram no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Mato Grosso (Ciosp).
Segundo Carlos Mesquita de Magalhães, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (SISMA/MT), a equipe do Governo Federal teria verificado registros relacionados ao funcionamento das ambulâncias no Ciosp e por isso realizaram a visita técnica.
“Eles vão fazer um relatório, vão encaminhar a informação que nós temos. Eles chegaram ontem e imediatamente se deslocaram até o Ciosp, fizeram os devidos apontamentos, porque lá tem tudo registrado, e verificaram as ambulâncias que estavam fechadas. E hoje vieram constatar in loco o que realmente está acontecendo”, completou.
Para Carlos a vistoria pode ser resultado das solicitações feitas pelo sindicato e da mobilização dos servidores do Samu, que denunciaram o sucateamento do serviço.
“Entregamos um documento falando que ambulâncias estão paradas, do sucateamento do Samu, da falta de planejamento, no quadro dos servidores, e com isso teve como reflexão o não funcionamento das unidades do Samu. Isso é muito grave, porque, se a unidade não funciona, ela tem que ter uma produção. Cada base dessa é pré-registrada no Ministério da Saúde, e nós temos que entregar mensalmente a produção”, afirmou.
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Segundo o presidente ao saber da chegada do Ministério, duas ambulâncias estacionadas no pátio que tinham pequenos problemas de mecânica já foram encaminhadas para oficina, assim como um dos carros de circulação também recebeu reparos. Além disso Carlos criticou a redução no número de unidades do Samu e afirmou que a diminuição da frota impacta diretamente no atendimento à população.
“A gente quer apenas continuar com o nosso trabalho. Já foi divulgado que o número de unidades do Samu diminuiu, e o número de unidades do Bombeiro aumentou. Contra fatos não há argumentos. Então, o Governo do Estado tenta justificar dizendo que não tem problema no atendimento. Eu duvido, porque, se você diminui a quantidade de ambulâncias, você diminui o atendimento à população. Isso é óbvio”, declarou.
Enfermeira assistencial na Unidade de Atendimento Avançado, Patrícia Ferreira afirmou que a vistoria confirma a preocupação dos servidores com o que ela classifica como desmonte do serviço móvel de urgência.
“A vistoria vem ao encontro do que nós, paralelamente, estamos passando, que é o desmonte do Serviço Móvel de Urgência. Nós tínhamos, até ano passado, vários projetos de ampliação do próprio serviço, e fomos surpreendidos agora, no mês de março, com a redução significativa dos trabalhadores. Isso tem impacto direto no fechamento de bases. Isso é um desmonte. Se nós tínhamos aumento do tempo resposta, com a vinda das ambulâncias do Corpo de Bombeiros, que subiu de 12 para 25, hoje nós reduzimos e regredimos, porque nós temos uma redução do quantitativo de ambulâncias do Samu”, disse.
Termo de Cooperação ou sucateamento?
Segundo a controladora de frota, Fabrícia Demarc, o termo de cooperação entre Samu e Corpo de Bombeiros existe em outros estados e funciona quando cada instituição desempenha sua respectiva função. No entanto, ela afirma que, em Mato Grosso, foi criado outro modelo, autorizado pelo Ministério Público e chamado de SEAPH (Sistema Estadual de Atendimento Pré-Hospitalar), no qual o Samu teria perdido autonomia e passado a depender do Corpo de Bombeiros para a tomada de decisões.
“Estamos sem comando. Todas as instituições precisam de comando. A renovação de contratos, por exemplo, passa por eles. Então, perdemos a autonomia”, afirmou.
A expectativa é que, na próxima terça-feira, um representante do Ministério da Saúde participe de uma nova reunião na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) com servidores do Samu e representantes do Corpo de Bombeiros, e que já tenha algumm parecer de acordo com o relatório que será realizado.

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