
Quase 400 quilômetros quadrados de floresta foram desmatados na Amazônia nos primeiros três meses de 2026. Apesar da área — equivalente a 56 mil campos de futebol —, o número representa uma queda de 7% em relação ao mesmo período de 2025.
Os dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelam que este foi o segundo menor desmatamento para o primeiro trimestre do ano. Por outro lado, o Cerrado registrou o segundo pior primeiro trimestre da série histórica, com crescimento de 15% em relação ao ano passado.
Em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (10), Beto Mesquita, membro da Coalizão Brasil e diretor de paisagens sustentáveis da Conservação Internacional, alerta que, apesar da queda de 7%, o desmatamento na Amazônia ainda existe e ainda é muito alto.
Leia mais – MEC Livros conta com mais de 122 mil empréstimos gratuitos de obras literárias em apenas uma semana
“É importante celebrar e comemorar o número, porque ele demonstra que segue a trajetória de redução do desmatamento. Então, depois de altos picos do desmatamento, ele começou a cair e essa queda está constante e crescente. Isso é uma boa notícia, porque demonstra que as ações que estão sendo feitas estão surtindo efeito”, ressalta.
Segundo Mesquita, a estratégia de preservação está funcionando e precisa ser mantida e intensificada, pois, normalmente, a etapa mais difícil de ser superada é a última. “É fundamental que a gente continue reduzindo esse desmatamento, porque estamos perdendo as áreas que são extremamente importantes para o equilíbrio climático do planeta e para as chuvas que abastecem as regiões produtivas do outro bioma onde o desmatamento está aumentando, que é o Cerrado”, afirma.
Ele aponta ainda que o Cerrado brasileiro é fundamental para o abastecimento de água em diversas regiões e contribui para a agricultura, para a geração de energia hidrelétrica e para o consumo nas cidades.
“A realidade do desmatamento no Cerrado é completamente diferente do desmatamento na Amazônia. No Cerrado, o desmatamento acontece nos imóveis rurais, nas propriedades privadas, boa parte com autorização e uma parte dentro dos limites legais. Então, a questão no Cerrado não é um combate à ilegalidade, não é um combate ao crime, mas é, sim, a necessidade de entendermos qual é o futuro que nós queremos para o país e qual é a garantia que nós queremos para a nossa produção de água”, afirma Mesquita.

Faça um comentário