
Cuiabá é a única capital do Brasil que não possui zoológico em funcionamento. Todas as demais têm um espaço de abrigo ou parque de observação de animais para lazer e programação educativa da população local.
O zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), único de Cuiabá, foi fechado para o público há mais de 7 anos devido à falta de investimentos e infraestrutura para abrigar adequadamente os animais. Apesar de tratativas para melhorias, o espaço segue sem previsão de reabertura como atração turística.
A nova estrutura funciona como Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres (Cempas) para acolhimento, atendimento veterinário, pesquisa e reabilitação de animais silvestres resgatados.
Os “pacientes” são encaminhados ao Centro após triagem feita pelo Hospital Veterinário da UFMT. Num prmeiro momento os animais silvestres resgatados são estabilização, então seguem para reabilitação e, quando recuperados, são destinados pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), responsável pelo manejo da fauna no estado, à área de preservação para viverem na natureza.
A falta do zoológico prejudica, também, as atividades escolares, especialmente dos anos iniciais. Segundo a coordenadora de uma escola da Capital, Ana Elizabeth de Araújo, uma das atividades extra classe que mais sente falta é a visita, pois é um passeio muito instrutivo para os pequenos.
“Era uma aula de campo que causava um verdadeiro encantamento aos alunos que podiam observar os animais que estavam estudando: mamíferos, répteis, aves, enfim. Eram vivências que faziam total diferença no aprendizado deles. Uma pena não termos mais essa possibilidade. Além de ser um passeio especial de final de semana para toda a família. Fico pensando, o que falta para que o Zoológico volte a funcionar? Porque , o zoológico é um espaço de pesquisa. Gostaria de ver uma outra realidade. Lamentável.”
O Zoológico da UFMT
Fundado em 23 de março de 1977, o zoo funcionava como uma estrutura informal, com animais que chegavam ao longo do tempo (muitos oriundos de apreensões e da construção da BR-163 pelo 9º BEC), era um local não só de obervação de animais e aprendizado, muito visitado por escolas, mas também uma opção de lazer alternativo para as famílias. Por muitos anos foi o único zoológico do Brasil que funcionava dentro de uma Universidade Pública.
Em seu apogeu chegou a abrigar cerca de 600 a 700 animais, e o público alcançava cerca de 6 mil visitantes mensais, tornando-se uma das mais cotadas atrações de férias de Cuiabá.
Abrigava ali diversas espécies de aves, além de cobras, panteras, macacos, jabutis, siriemas, e diversas outros bichos que fazem parte do Pantanal e do Cerrado, inclusive espécies em extinção como ariranhas e o gavião real.
Porque fechou?
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) exigiu, em 2015, que o espaço atendesse às normas de manejo da fauna e, como a determinação não foi cumprida, o zoológico foi fechado. À época, cerca de dois mil animais foram transferidos para outros abrigos. Hoje restam em torno de 300 bichos vivendo no local.
O desmoronamento de calçadas, o envelhecimento dos animais e a inadequação dos recintos contribuíram para que o zoológico fosse interditado pelo Ibama.
Além disso, em 2018, pouco antes da interdição definitiva, a Vigilância de Zoonoses de Cuiabá encontrou macacos mortos, com febre amarela, o que antecipou a ida de diversos animais para outros zoológicos do país.
Alguns dos últimos moradores transferidos foram jabutis, que passaram a habitar o Parque da Tijuca no Rio de Janeiro, no início de 2020.
Ao ser questionada, a UFMT respondeu em nota ao que atualmente, não há previsão de que o espaço volte a funcionar como zoológico.
Leia na íntegra:
“A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) consolidou uma nova proposta para a área, que hoje está estruturada como Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres (CEMPAS), instituído pela Resolução nº 14 do Conselho Diretor, de 20 de julho de 2018.
O CEMPAS foi criado com o objetivo de reforçar e ampliar as ações de recuperação da fauna silvestre brasileira, atuando no acolhimento, tratamento e reabilitação de animais provenientes, principalmente, de resgates e apreensões realizadas por órgãos como o Ibama e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), em parceria com a Polícia Ambiental.
Após o processo de reabilitação, os animais recebem alta clínica e são encaminhados à Sema, responsável por sua destinação, que pode incluir a reintegração à natureza ou o envio a instituições aptas a recebê-los.
Diferentemente de um zoológico, o modelo adotado pelo CEMPAS segue a legislação vigente e não prevê visitação pública neste momento.
A criação do CEMPAS foi resultado de uma construção coletiva, envolvendo diferentes instâncias da UFMT, além de órgãos como a Sema-MT e o Ministério Público, com regimento interno aprovado pelo Conselho Diretor da Universidade”.
Alternativas para visitação
Como alternativa a população, existe o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães que tem livre entrada para observação, embora não seja confirmado que o visitante encontrará animais em seu percurso, já que eles estão em livre natureza.
Há também um pequeno espaço anexo ao Sinuelo, bar e restaurante localizado na Rodovia BR-364 Km-395, no Distrito Industrial, onde é possível observar alguns animais. O espaço que atende das 6h às 22h, todos os dias da semana, e não precisa pagar para visitação dos bichos, embora precise estar consumindo no local.

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