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Luiz Henrique Lima
Para todos os cristãos, a Páscoa é a celebração maior da fé: o triunfo da vida sobre a morte, da esperança sobre o desespero, do amor sobre todas as formas de violência. É o momento em que recordamos que Jesus venceu a morte e, ao fazê-lo, abriu para a humanidade inteira a possibilidade de renascer. Mas, se Ele vive, onde está Jesus hoje? A resposta Ele mesmo nos deu: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18,20).
É uma resposta simples, mas que exige discernimento. Porque Jesus não está em qualquer reunião humana. Ele não se manifesta nos templos do consumo perdulário e da indiferença, onde o sofrimento alheio é ignorado e a compaixão tratada como fraqueza. Não está nos palcos onde se prega prosperidade para poucos e culpa para muitos. Tampouco se encontra nas celebrações que transformam a fé em espetáculo e o Evangelho em mercadoria.
Jesus, com coragem e ternura, superou a lógica exclusivista do Velho Testamento que falava em apenas um “povo escolhido”. Ele escolheu a todos os povos. Dirigiu seu Evangelho de amor à humanidade inteira, sem exceção, mas com uma preferência clara pelos que mais sofrem. Jesus não pregou nos palácios, mas nas estradas poeirentas. Não buscou os poderosos, mas os pescadores, os leprosos, as mulheres marginalizadas, os pobres de pão e de espírito. Nunca discriminou ninguém; ao contrário, aproximou-se justamente dos que eram rejeitados. “ Nesta Páscoa, a pergunta “Onde está Jesus?” não é retórica. Ela nos convoca à autorreflexão. Porque Jesus está onde sempre esteve: junto dos que sofrem. Foi Ele quem disse: “Não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes””
Por isso, é impossível imaginar Jesus hoje ao lado daqueles que apertam botões de morte. Ele não está com quem dispara mísseis como os que destruíram a escola de meninas em Minab, no Irã, matando mais de 165 pessoas, na sua maioria crianças que apenas queriam estudar numa sexta-feira pela manhã. Jesus está, neste exato momento, consolando as mães e os pais dessas meninas e de suas professoras, e recebendo em sua morada celestial, com um abraço amoroso, cada uma das vítimas inocentes dessa monstruosidade.
Jesus está ao lado das crianças famintas em Gaza, das famílias desabrigadas no Líbano e dos que vivem sob escombros e medo em tantas partes do mundo. Jamais ao lado de seus algozes, por mais que estes tentem justificar suas ações com discursos de segurança, honra ou vingança. Jesus está com os doentes, com os frágeis, com os que lutam pela vida e pela paz — jamais com os que negam a ciência, desprezam as vacinas ou transformam a ignorância em bandeira. Jesus está com as dezenas de milhões que sofrem as consequências de eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e devastadores, e não ao lado dos que insistem no negacionismo climático e na continuidade de atividades predatórias ao meio ambiente.
Nesta Páscoa, a pergunta “Onde está Jesus?” não é retórica. Ela nos convoca à autorreflexão. Porque Jesus está onde sempre esteve: junto dos que sofrem. Foi Ele quem disse: “Não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes” (Mt 9,12).
A questão mais difícil e que precisamos responder é outra: e nós – onde, e com quem, estamos?
Feliz Páscoa!
Luiz Henrique Lima é professor e conselheiro independente certificado – CCA-IBGC

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