
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Márcio José Toledo Pinto, ex-assessor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi preso no final da tarde dessa terça-feira (31), por suspeita de obstruir as investigações sobre venda de decisões judiciais da Operação Sisamnes. Ele também é suspeito de ter recebido ao menos R$ 4 milhões do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves. A informação é do jornalista Aguirre Talento , do Estadão.
Durante a manhã de terça, Márcio já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão. Após a PF ter colhido novos dados a partir do celular dele, os investigadores fizeram um pedido de prisão preventiva, que foi autorizado pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação da Polícia Federal apontou que Márcio estaria vigiando e monitorando um dos delegados do caso. Na semana passada, o delegado percebeu que estava sendo seguido, abordou e identificou Márcio. Depois disso, a PF solicitou a Zanin autorização para efetuar as medidas contra ele.
Em relatório enviado ao STF no mês passado, a PF indiciou Márcio Toledo Pinto por crimes como violação de sigilo funcional e corrupção passiva e concluiu que ele modificou e vazou informações de decisões de ministras do STJ a pedido de um lobista em troca de pagamentos. Ele já havia sido alvo de buscas na primeira fase da Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024. Márcio trabalhou nos gabinetes de duas ministras: Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.
As quebras de sigilo bancário identificaram que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves pagou ao menos R$ 4 milhões a Márcio por meio de uma empresa aberta em nome de sua mulher.
No seu relatório, a Polícia Federal sustentou não ter encontrado até agora nenhum indício de envolvimento dos ministros da Corte. Essa conclusão parcial foi produzida pelo novo delegado designado pela PF para conduzir o caso, José Eloísio dos Santos Neto, e entregue ao gabinete do ministro Cristiano Zanin, relator do inquérito no Supremo.
O novo relatório afirmou que não há “elementos indicativos da participação de ministros do STJ”. “Ressalta-se que não existe nestes autos, até o presente momento, elementos indicativos da participação de ministros do STJ no esquema criminoso engendrado pelo lobista Andreson Gonçalves. Os diálogos analisados não permitem inferir que os servidores investigados atuaram em conluio com os ministros”, disse.
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