
O ministro mato-grossense Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que nestas eleições já teremos campanhas com o uso de Inteligência Artificial e que, mesmo com a regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso da ferramenta, abusos podem acontecer.
Nesta sexta-feira (27), Gilmar Mendes participou da 2ª edição do seminário “Legística e o Desempenho do Mandato”, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá. Um dos temas debatidos foi o uso da inteligência artificial.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Aos jornalistas, antes do evento, o ministro falou sobre suas preocupações sobre o uso da IA. “Todos nós estamos com os olhos voltados para o uso e, eventualmente, o mau uso da inteligência artificial no processo eleitoral. Todos nós estamos vendo. Claro que tem resultados fantásticos, não podemos negar, mas também temos o lado perverso da questão”, alerta.
“Isso [IA] vai ser um desafio grande para essa geração que está na Justiça Eleitoral, tanto nos juízes eleitorais, nos TREs e, sobretudo, no TSE. De alguma forma, já existia no passado, só que agora, por conta das redes sociais, se projeta de uma maneira muito imediata, porque no momento seguinte de uma declaração isso está em todos os lugares, nos mais diversos blocos”, explica o ministro. “ Qualquer um de nós que já viveu cenas eleitorais extremamente preocupantes consegue imaginar, por exemplo, o dano que pode causar uma declaração um dia antes da eleição. Como que se evita isso? Como que se contrasta?” Ministro Gilmar Mendes
No início do mês, o TSE homologou as novas resoluções sobre o enfrentamento às fake news, à desinformação e ao uso responsável da Inteligência Artificial (IA) nas eleições deste ano. O ministro afirma que, mesmo com essas regras, abusos ainda podem acontecer e vai ser um desafio para a Justiça Eleitoral conseguir conter os danos. “Certamente, nós vamos ter uma campanha, já com o uso de IA. O TSE tem tentado fazer uma regulamentação, dizendo, inclusive, que se se usar a propaganda com recurso de IA tem que se declarar, mas de qualquer forma, podemos ter abusos”.
“Qualquer um de nós que já viveu cenas eleitorais extremamente preocupantes consegue imaginar, por exemplo, o dano que pode causar uma declaração um dia antes da eleição. Como que se evita isso? Como que se contrasta? Nós vimos na eleição municipal de São Paulo o episódio da acusação ao, agora, atual ministro [Guilherme] Boulos, em que se dizia que ele foi internado com os drogas e coisas do tipo. Era uma notícia completamente falsa. Como contrastar isso?”, questiona.
“Agora, imagine uma notícia 24 horas antes da eleição. Então, tudo isso é um desafio e, certamente, a Justiça Eleitoral tem que fazer esses testes”, acrescenta.
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