
Arquivo pessoal/Marcos Ardevino
As onças-pintadas Pari e Pakoba
O guia de turismo, biólogo e fotógrafo de vida selvagem Marcos Ardevino , natural de Cáceres, realizou um registro inédito de duas onças-pintadas às margens do Rio Claro, em Poconé (a 104 km de Cuiabá), e, por ser o primeiro a fotografá-las, teve o direito de nomear os animais como Pakoba e Pari – palavras de origem tupi-guarani que significam “bananeira” e “armadilha de pesca”, respectivamente.
Em entrevista ao , Marcos conta que já suspeitava se tratar de “indivíduos inéditos” antes mesmo de qualquer verificação mais aprofundada. “Eu já desconfiava, porque como eu trabalho há bastante tempo com isso, a gente tem uma noção. Você bate o olho e vê o padrão das pintas, você se acostuma”, relatou.
Segundo ele, além da importância científica e de conservação, o monitoramento desses animais também impacta diretamente o turismo na região, uma das principais atividades econômicas do Pantanal. Marcos destaca ainda que informações sobre a presença e deslocamento das onças enriquecem a experiência dos visitantes, especialmente aqueles que retornam com frequência.
“É importante saber que esses bichos estão ali, onde eles estão e para onde vão. É importante a gente responder todas essas questões, para entender essa dinâmica. E no turismo é também interessante esse tipo de informação, porque o turista que viaja regularmente para o Pantanal, se ele tem essa informação, certamente aumenta a experiência do tour”, destacou. Reprodução/Instagram
O biólogo, Marcos Ardevino
Com mais de uma década de atuação na observação de fauna, Marcos explica que o registro fotográfico é uma ferramenta essencial para o monitoramento das onças na região, já que a maioria não volta a ser vista. “Nem todas são reobservadas, algumas desaparecem e a gente não sabe o motivo. Justamente porque existe uma dinâmica populacional, esses bichos não ficam sempre no mesmo local”, explicou.
O biólogo destaca que as onças-pintadas podem percorrer grandes distâncias até estabelecer território. “De acordo com a literatura, podem andar 100 quilômetros em um dia”, disse, ao mencionar também registros recentes de deslocamentos ainda maiores de cerca de 1.600 quilômetros, percorridos em apenas três meses que foram acompanhados por uma instituição de conservação no estado de Goiás.
A nomeação de Pakoba e Pari se soma a outros registros feitos por Marcos ao longo da carreira. Ele estima já ter nomeado mais de dez onças-pintadas. O processo, segundo ele, depende diretamente da identificação individual dos animais, que é feita por meio do padrão único de pintas. “Esse padrão dessas rosetas e pintas é como se fosse uma impressão digital. Cada indivíduo tem um padrão diferente”, detalhou.
Arquivo pessoal/Marcos Ardevino
A identificação pode ser feita com precisão a partir de fotografias da face e das laterais do animal, o que permite comparar os registros ao longo dos anos. “Se daqui a dez anos eu estiver procurando pelo Pantanal, fotografar o indivíduo e checar na lista, eu posso dizer se é o mesmo, se é outro”, completou.
“Estou no paraíso”
Apaixonado pela profissão, Marcos descreve a experiência em campo como única. “Eu estou ali no paraíso. Entrei para a biologia porque gosto de bichos, sou fascinado por observar o comportamento desses animais no ambiente natural”, afirmou. “ Eu sou super realizado profissionalmente. Poucas pessoas têm a oportunidade de trabalhar com o que gosta e fazer disso um ganha-pão” Marcos Ardevino
Atuando como guia desde 2012 e com a fotografia de vida selvagem no mesmo período, ele diz ter encontrado no Pantanal um cenário ideal para unir trabalho e vocação. “Eu sou super realizado profissionalmente. Poucas pessoas têm a oportunidade de trabalhar com o que gosta e fazer disso um ganha-pão”, disse.
O profissional também chama atenção para a diversidade do bioma, especialmente na região de Mato Grosso, que abriga diferentes sub-regiões do Pantanal, como Cáceres, Poconé e Barão de Melgaço. “A gente mora em um lugar incrível na América do Sul, um dos mais interessantes do planeta para observação de fauna”, destacou.
Para ele, o Pantanal brasileiro não fica atrás de destinos internacionais famosos pela vida selvagem. “Muita gente fala que o Pantanal está no nível da África para observação de fauna. E digo que, em termos de oportunidade de fotografia e comportamento, está sim no mesmo nível”, concluiu.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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