Laudo aponta psicose em mulher que matou jovem grávida e arrancou bebê

Imagem

Ré confessa pelo assassinato da adolescente grávida Emelly Beatriz Azevedo Sena , de 16 anos, em março de 2025, Nataly Helena Martins Pereira  estava em “quadro clínico psicótico por possível consequência pelo uso de álcool e drogas” durante o momento que cometeu o crime. Isso é o que aponta um laudo psiquiátrico elaborado por uma equipe de três profissionais contratados pela defesa da ré. A perícia havia sido solicitada após a Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) suspender o julgamento pelo Tribunal do Júri para aguardar a análise da sanidade mental da ré.

Reprodução

O teve acesso ao documento, que foi finalizado em 21 de novembro de 2025. O parecer levou em conta entrevistas de familiares de Nataly e avaliou as funções mentais da ré, que permanece presa na penitenciária feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. 

Conforme o laudo, durante o crime, a ré apresentou sintomas psicóticos  como “delírios de natureza mística e persecutória, alucinações auditivas, desorganização do pensamento e comportamento desadaptativo grave, compatíveis com ruptura da realidade”.

Em um documento de 56 páginas, a equipe detalha situações da vida pessoal de Nataly que poderiam ter afetado a saúde mental e interferido na percepção sobre o crime. No parecer técnico é citado abuso sexual na infância, perdas gestacionais, depressão pós-parto, uso de substâncias psicoativas, vulnerabilidade social,  espiritualidade desorganizada e um histórico de ideações suicídas.

Com diagnóstico de Psicose Não Orgânica Não Especificada, Nataly declarou à equipe médica que não se lembrava de detalhes do dia em que cometeu o crime e que estava possuída por uma entidade maligna. Ela afirmou que fez um corte em formato de cruz no abdômen de Emelly Sena e, durante o relato, demonstrou culpa e pediu “perdão por ter sido usada pelo inimigo”. Arquivo

A adolescente Emelly Sena, de 16 anos, que teve o bebê arrancado da barriga

Conforme a avaliação, Nataly demonstrou necessidade de tratamento especializado e contínuo. Ela recebeu prescrição médica para uso combinado de múltiplos psicofármacos, incluindo antipsicóticos, ansiolíticos, antidepressivos e estabilizadores de humor. 

“Os conjuntos de evidências clínicas demonstram graves instabilidades psíquicas, confusão mental, medo intenso, alterações perceptivas como alucinações auditivas e ideação suicida, configurando quadro de sofrimento psíquico relevante”, diz trecho do laudo. 

O documento ainda aponta para o risco de suicídio de Nataly, sobretudo por estar reclusa, o que, segundo o parecer, potencializa o risco de morte. “O contexto de encarceramento agrava significativamente o risco de morte, no histórico pessoal suicida, persistência de sofrimento psíquico grave mesmo com uso de múltiplas medicações adequadamente prescritas, mas que não estavam sendo suficientes para melhora”. 

De acordo com o laudo, Nataly Helena está gravemente adoecida mentalmente, com risco de suicídio, por isso registra-se a necessidade de refinos urgentes nos tratamentos especializados e contínuos. 

A defesa de Nataly acredita que o acórdão com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que suspendeu o júri popular em novembro de 2025, será mantido. A defesa pede pela realização do exame de incidente de sanidade mental , também recomendado pelo laudo e que verifica se, à época dos fatos, ela era inimputável ou não. 

“Acreditamos na insanidade de Nataly, e isso não deve ser confundido com impunidade ou injustiça. Nataly responderá pelo ato cometido, isso é fato e a defesa não busca fugir disto, a questão a ser debatida aqui é como ela responderá? Se será na cadeia, na eventualidade de sua sanidade ser confirmada; ou se será mediante internação, caso seja reconhecida sua insanidade. A defesa não quer impunidade, ela quer justiça, e a justiça passa por uma correta punição, ainda que isso remeta à internação de Nataly”, argumentou a defesa.

O caso

Emelly Azevedo Sena desapareceu no dia 11 de março, por volta das 12h, após sair de casa, no bairro Eldorado, em Várzea Grande e avisar a família que estava indo para Cuiabá buscar doações de roupas de bebê. O celular parou de funcionar e a família saiu em procura dela, realizando um boletim de ocorrência às 22h.

Na quarta-feira à noite, Nataly e o marido deram entrada no hospital com uma bebê, alegando que o parto teria sido realizado na residência . A equipe médica desconfiou do caso, pois a mulher não tinha indícios de puerpério. Exames apontaram que a mulher não esteve grávida recentemente e que a criança seria de outra mãe.

No dia 13 pela manhã, o corpo de Emelly foi encontrado em uma cova rasa, com pernas e braços amarrados, asfixiada com um fio no pescoço e um corte de faca na barriga .

Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a bebê que estava com Nataly era a filha da adolescente. A investigação aponta que Emelly ainda estava viva quando teve o bebê arrancado do ventre . Os cortes foram precisos e certeiros no útero, não tendo atingido outros órgãos. Nataly confessou em  depoimento que, antes de matar Emelly, pediu desculpas e disse que cuidaria da bebê.

Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI)

Link da Matéria – via RD News

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*