
Série de disputas internas e o apoio explícito à pré-candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao governo do Estado,
por parte do governador Mauro Mendes (União) e do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), reacendem dúvidas e questionamentos sobre uma possível infidelidade partidária. A situação é complexa, visto que as legendas de ambos
possuem postulantes próprios ao Palácio Paiaguás:
o senadores Jayme Campos e Wellington Fagundes, respectivamente. A postura dos gestores, lida por correligionários como clara incoerência, gera um clima de incerteza, racha e mal-estar nos bastidores.
Para o analista político e historiador Alfredo da Mota Menezes, a movimentação de Mauro Mendes ao preterir Jayme
Campos visa consolidar um grupo político que detém o controle da máquina estadual. Ao priorizar Pivetta, Mauro tenta colocar o colega de partido em segundo plano, inclusive na hipótese de uma “dobradinha” para o Senado.
De acordo com Menezes, a força política de Mendes dentro da sigla é o fiel da balança para evitar a caracterização de traição.
“É muito difícil que um partido consiga eleger dois senadores na mesma votação. Em tese, o Mauro tem uma vantagem sobre Jayme por deter uma base muito maior de prefeitos, vereadores e deputados estaduais sob seu comando. Ele deve se valer dessa maioria dentro do diretório para carimbar a coligação com o Republicanos, o que, na prática, acaba com a tese de infidelidade partidária”.
Episódios como este têm se tornado frequentes na política local. Em 2024, a deputada estadual Janaina Riva (MDB)
apoiou Eduardo Botelho (União) para a Prefeitura de Cuiabá, ignorando a candidatura própria de seu partido, que lançou Domingos Kennedy.
No mesmo pleito, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) também caminhou com Botelho, contrariando a coligação de seu partido com o PT de Lúdio Cabral.
Já em 2020, os irmãos Júlio e Jayme Campos apoiaram Emanuel Pinheiro (MDB) contra Roberto França (então
no Patriota, apoiado pelo União), enquanto o próprio Mauro Mendes, em eleição suplementar para o Senado, preferiu
Carlos Fávaro (PSD) ao candidato Nilson Leitão (PSDB) – que tinha Júlio Campos como suplente

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