
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Ex-prefeito de Cuiabá Anildo Lima de Barros
Ex-prefeito de Cuiabá, de 1983 a 1985, Anildo Lima de Barros avalia que os principais gargalos da Capital seguem sendo praticamente os mesmos e reflete que é necessário avançar em setores essenciais para garantir uma melhor qualidade de vida à população. “Quarenta anos depois, os problemas de Cuiabá continuam mesmo. O que é problema do Cuiabá? Buraco, limpeza e coleta de lixo. A educação ainda está falha e a saúde piorou do meu tempo. Do meu tempo, não. Do tempo de Titito [Rodrigues Palma], de todos para trás. Porque a saúde, realmente, deixa muito a desejar e eu fico triste com isso porque tem recurso”, avalia.
Nesta linha, o ex-gestor reflete que a cidade recebeu muito dinheiro, especialmente durante o governo Jair Bolsonaro, em razão da pandemia da covid, mas que a situação segue precária.
Ele também lamenta o fato da Capital não ter mais o título de Cidade Verde. “Eu vejo uma Cuiabá ainda empobrecida. Nós temos muitos problemas em Cuiabá. Tem problema na Educação, problema na Saúde, problema no transporte, inundação, problema no meio ambiente. Temos uma cidade que não é mais verde, nós temos que recuperar isso. Enfim, uma cidade problema”.
Por outro lado, Anildo enaltece o impacto da miscigenação de Cuiabá, que criou uma nova cuiabanidade – termo que se refere à essência da cidade de Cuiabá – após a migração de pessoas de várias partes do Brasil, especialmente das regiões Sul e Sudeste. Para ele, as pessoas ainda conseguem viver bem na Capital porque o “povo é muito bom, hospitaleiro e carinhoso. O povo se entrega, mas a cidade não favorece quase nada”. Outro fator positivo, em sua ótica, é o fato de que Mato Grosso vive um momento econômico fantástico. Rodinei Crescêncio/Rdnews
Ex-prefeito de Cuiabá Anildo Lima de Barros concede entrevista à jornalista Patrícia Sanches e fala sobre sua visão de Cuiabá que chega aos 306 anos
Preencher lacunas
Anildo entende que um dos desafios do prefeito Abilio Brunini (PL), que assumiu o Palácio Alencastro em 1º de janeiro, é promover algum tipo de ação para preencher áreas gigantes, que são utilizadas, na maior parte das vezes, para se fazer especulação imobiliária. “Temos que criar um programa aqui que consiga contemplar o preenchimento de terrenos baldios, que são áreas enormes dentro de Cuiabá. Nós temos que criar uma forma de lei, alguma coisa que faça com que esses proprietários vendam ou produzam alguma coisa [no local]”.
Nesta linha, o ex-prefeito avalia que Cuiabá está cada vez mais esparramada, o que prejudica muito que o Executivo consiga ofertar serviços de qualidade em áreas essenciais como transporte público, coleta de lixo e construção de escolas. Para Anildo, a situação também impõe dificuldades na implantação de melhorias no trânsito porque a Capital é uma cidade atípica, que cresceu nestes 306 anos sem planejamento.
“Nós temos bairros, por exemplo, Pedra 90 e outras coisas que estão dentro da cidade e nós temos um espaço de quase 50 quilômetros de vias. Isso dificulta todo o sistema de transporte, o sistema de colete de lixo, o sistema de limpeza. Enfim, é uma cidade difícil de se administrar”.
Para ele, a Copa do Mundo foi essencial para que o estrangulamento não fosse ainda pior nos dias de hoje. “Foi um presente para Cuiabá”. Nesta linha ressalta que depois vieram algumas obras importantes como o Hospital Municipal de Cuiabá e entende que, se Abilio for habilidoso, diferentemente de Emanuel Pinheiro, vai manter uma relação de parceria com o governo estadual para conseguir avançar em várias áreas durante o seu mandato.
“Apesar de toda a boa vontade do Pinheiro [Emanuel], mas essa rixa dele com o Mauro [Mendes], só deu na nossa cabeça. Na minha cabeça de cuiabano, na sua, das pessoas que moram em Cuiabá. Esse foi o grande desastre da administração, tanto pro Mauro como para o Pinheiro”.
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